Estranha brasilidade!

Os grupos políticos tradicionais da cidade pactuaram e são signatários do mais novo condomínio político local. A tese do “primeiro eu, depois os meus e nada para os outros” escancara sem nem escrúpulo este escândalo avalizado por aqueles que têm necessidades e dependências.

A sociedade, com raras exceções, comportou-se de maneira assemelhada nestes dias de desabastecimento. Para obstruir/bloquear esta forte inclinação/tendência e mudar o tabuleiro e a lógica do jogo precisamos ultrapassar esta diretriz que é quase instintiva. Precisamos de uma alavanca, uma força externa ou uma intervenção desarmada de pessoas de boa vontade ou até mesmo permitir que a natureza da ruptura fale mais alto. Só assim a racionalidade pode fazer frente a esta irracionalidade interesseira.

Para muitos,  mudar isto, ao menos na política, é uma tarefa que beira o impossível. Somente uma tática, muito bem elaborada, justificada e compartilhada, tem chance de fissurar decisões já tomadas pela cúpula e pelo interesse financeiro.

É quase inexplicável o sentimento de aval e simpatia por parte de uma parcela da população que se diz esclarecida a dirigentes políticos leais a seus interesses particulares com discurso de interesses coletivos.  Em sociologia já se chamou isto de síndrome de Estocolmo. A vítima não se sente vítima e ao conviver com seu algoz consegue enxergar apenas a alternativa de não resistir, passando gradativamente a se acostumar com isto e de repente até gostar. Agora o fenômeno parece ser outro. Trata-se da síndrome de Copenhague. O que é isto? Um processo no qual o cidadão faz uma salada de ideologia e ignorância, misturado com ingenuidade para justificar coisas injustificáveis, desde que não seja atingido e/ou afetado. É como dizer: “queimo a casa, mas salvo meu quarto”.  Chamo isto de entreguismo irresponsável.

Outros exemplos podem ser analogamente discutidos como: saber que  a Rede Globo manipula e impõe uma totalidade de pensamento e continuar rendendo audiência  à mesma ou ainda apoiar a greve dos caminhoneiros tendo como maior bandeira a diminuição dos derivados de petróleo e criar pânico em postos de gasolina para abastecer seu veículo particular  com preços abusivos.

Estranhamente as pessoas procuram desculpas para agir de modo conveniente, politicamente e moralmente, com pouco ou quase nenhum benefício coletivo.

Convenhamos que este comportamento seja no mínimo estranho, não é?

Tudo isto acontecendo em um momento do governo fragilizado e de uma sociedade tão fragilizada quanto. Daí nossa dependência a alguma alavanca/fator extrínseco (exemplo greve dos caminhoneiros) ou algo que caia do céu.  Talvez uma nova alavanca só venha com uma derrota da seleção brasileira no mundial de futebol, em um possível apagão energético ou  quem sabe um apagão na internet.  Fora isto, uma procissão para o abatedouro, com raras e honrosas exceções.

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