Feminismo versus e/ou Sagrado Feminino

Em tempos em que as mulheres estão reivindicando o seu direito por igualdade e reconhecendo o seu potencial gerador de vida numa sociedade em que, lamentavelmente, as forças dominadoras de controle tentam a todo momento ditar um sistema opressor, tem-se confundido os conceitos e vivências relativos ao feminismo e ao sagrado feminino.

Este texto não tem nenhuma intenção de defender, julgar, nem convencer ninguém de nada. Apenas esclarecer algumas diferenças básicas entre os movimentos, que em alguns pontos têm convergência e em outros muitas diferenças. Até porque o assunto é extremamente amplo para ser expressado em apenas algumas linhas.

O feminismo trata-se de um movimento político-social que envolve questões de direito, espaço de igualdade, proteção e luta de mulheres numa sociedade patriarcal extremamente machista e preconceituosa. O movimento possui adeptas moderadas e também militantes radicais que defendem uma situação igualitária entre homens e mulheres. A experiência feminista tem um aspecto totalmente comportamental e até por vezes (e necessariamente em alguns casos extremos) comunicativamente agressivo. Nada mais natural do que isso no momento histórico tendo em vista os motivos pelos quais o feminismo nasceu.

Já o sagrado feminino refere-se a um movimento muito mais espiritual e interno. É o resgate da energia feminina que existe dentro de cada um, inclusive nos homens, e que trata de uma volta à essência totalmente pura e amorosa de cada ser. Nesse ponto, o sagrado masculino também é parte importante do processo, integrado e reconhecido para também ser curado e para que reaja num equilíbrio harmônico junto ao feminino. Os chineses compreendem esse equilíbrio perfeito como a união entre o Yin e o Yang. O reconhecimento de que somos todos na integridade as duas faces de uma única moeda.

O intento é que todo o sistema planetário passe a ter uma nova harmonia com a união dessas duas forças, masculina e feminina, pelo que lhe é mais sagrado em ambas, e que por muito tempo suas sombras travaram uma luta de poder, dominação, submissão e violência.

O sagrado feminino é uma energia da Mãe Maior que pode ter adormecido dentro de cada um. É uma redescoberta que potencializa a sensibilidade, a intuição e a compaixão. Na física quântica e na neurociência, seria a amplificação do potencial emocional positivo humano. Seres que estão em evolução e caminhando pela vida com plenitude conseguem preservar e ponderar essas polaridades dentro de si.

Para isso, surgiram muitos círculos de mulheres em todo o mundo que trabalham o sagrado feminino e cultivam o reconhecimento e honra da força geradora de vida pelo ventre (inclusive de gerações passadas) e a sororidade, amor e apoio fraterno entre irmãs planetárias, traços naturais que o patriarcado podou quase pela raiz com a contaminação da individualidade, do materialismo sem propósito e da competição.

Se esse desequilíbrio entre as energias masculinas e femininas, aliado à luxúria e ao desejo de poder a todo custo, não tivesse eclodido em um ponto ou em vários da história da humanidade, mas ao contrário, houvesse preservação da honra de ambas as forças, da luz e também reconhecimento das sombras e das fragilidades de cada um, o feminismo talvez nem precisaria existir. Infelizmente não foi essa a nossa realidade e hoje nos encontramos num momento de despertar urgente.

Com conhecimentos ancestrais que viraram sementes e uma nova geração disposta a evoluir, muitas mulheres e homens estão se dedicando a resgatar o sagrado feminino, equilibrando com as forças de ação masculina para que a intuição, a amorosidade, a generosidade e todos os aspectos genuinamente sensitivos voltem a guiar as vidas de todos num mundo mais altruísta, com ações racionais bem intencionadas.

Agora e aqui, neste exato ponto é necessário proteger mulheres e apoiar a redescoberta de homens que também se perderam nesta nova conjuntura em que o respeito é essencial numa reconstrução profunda das relações. O trabalho é para curar todos os corações de feridas muito antigas e também atuais que marcam o nosso DNA, com dores que ainda pulsam fortes em nossos corações e impulsionam decisões, na maioria das vezes, inconscientes. Tudo isso precisa ser observado, reconhecido e perdoado com amparo divino.

O autoconhecimento é o caminho. Que a cura aconteça. 

Que possamos chegar ao equilíbrio!

Que tenhamos a sabedoria necessária.

Assim seja!

Abraços.

Até mais.

Jo

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