Foi um banho de emoção e de inclusão pelo amor

Não existem palavras que possam traduzir o valor de um talento. A única coisa que se pode fazer é sentir, abrir o coração e deixar que a emoção ocupe o lugar das palavras. Mais uma vez, a Felchak Produções se superou e essa companhia, genuinamente guarapuavana, sabe muito bem fazer isso. E fazem sorrindo.

Quem foi até o Ginásio Municipal de Esportes Joaquim Prestes na noite de sábado, na abertura das Olímpiadas das Apaes, foi privilegiado por tomar um banho de emoção, de amor incondicional, de vontade política, de talento, de superação. Nunca um espetáculo traduziu tão bem o que é ser uma pessoa especial num universo que condena, que prega a violência, que julga, que exclui, só porque há diferenças. Confesso que a sensibilidade do pessoal da Rita – David, Daiana, Dody, Jiseli, Cissa – conseguiu surpreender, de novo. Pela sensibilidade, pelo desafio de captar a essência do que é uma ter uma pessoa especial em casa, da sabedoria que esses seres de luz nos mostram na prática todos os dias. É a superação de todos os limites, é a inocência, é a pureza – e aqui a dose dupla é proposital -, é o amor incondicional. Atributos que só os artistas verdadeiros conseguem captar. E a Felchak Produções conseguiu. Mostrou a essência da criação do mundo a partir dos elementos terra, fogo, água e ar. Em meio a esse turbilhão, uma estrela cai do firmamento para viver num mundo desconhecido, parcial e excludente. E as estrelas, ali representadas pelos alunos da Apae de Guarapuava, mostraram que é possível superar limitações quando se tem amor. Você sabe o que é ver uma menina com paralisia cerebral fazer um esforço descomunal e dançar como se fosse a melhor bailarina do mundo e sair do “palco”  chorando de emoção? E ali ela era, sim. Ou ouvir uma senhorinha de 44 anos, a Marta, dizer que é uma atriz e que sonha em participar de uma novela da Globo? Você sabe o que é olha para aqueles rostos cobertos pela emoção por ter conseguido ser artista, cumprir com a responsabilidade que lhe foi delegada? Você sabe o que é ouvir uma mãe com a filhinha no colo olhar pra você e dizer: “este é o meu maior tesouro”? Você sabe o que ver que a sensibilidade transcende qualquer limitação? Você sabe o que é ver o sorriso estampado no semblante da Rita, da Dody, da Daiana, do David, pelo desafio vencido?

Desafio, sim. E o maior deles, o tempo. Foi assim que a Rita me respondeu quando perguntei qual teria sido no processo de montagem do espetáculo. “Foi entender e respeitar o tempo de cada um. Achamos que não íamos conseguir. Choramos muito, mas eles sabiam que conseguiriam e quando entendemos, o resultado está aí. Prevaleceu o respeito e amor”.

Sim, o amor. Em meio a um cenário de violência, de desrespeito, de intolerância, Guarapuava dá mais um exemplo. Uma demonstração de vontade política incondicional, de amor, de união da sociedade por meio do voluntariado, de superação, de um viva às diferenças e à inclusão social.

 

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