Guarapuava sua linda, agora vai?

Guarapuava (Foto: RSN)

Que Guarapuava é linda, isso já sabemos. Que possui uma beleza exuberante, um clima temperado e saudável, também temos consciência disso tudo. E potencial para o turismo? Estamos cansados de saber. E então, o que falta para que esse setor deslanche? Vamos aos fatos.

Há muito tempo escrevo sobre projetos para desenvolver o turismo em Guarapuava. Já teve As Cavalhadas, um espetáculo épico maravilhoso. O Trem Express Serra Verde, que não passou de umas duas viagens. Os indígenas da Marrecas, com sede em Turvo, mas com pezinho em Guarapuava. Empolgados, acharam que iam receber em dólares, tão grande foi a expectativa gerada.

O Salto de São Francisco, que acabou recebendo a “extensão” da Esperança, numa alusão à Serra que leva o mesmo nome. Teve também até a comemoração de um ano de comemoração da neve, com direito à memorial – que, aliás, sumiu – e blocos artificiais, porém, sem o tradicional “parabéns pra você”. Ah! Também fazia parte um roteiro gastronômico por restaurantes do Centro da cidade.

Já tivemos a Festa das Nações com 10 etnias organizadas; o Festival Internacional do Folclore; a Festa da Vodka. O Festival do Folclore da Unicentro sobrevive.

Isso sem falar, em projetos de menor porte, que aconteceram de forma isolada. Entretanto, no que pese a boa vontade de quem sonhou e projetou essas iniciativas, quase nada vingou. Ficou no meio do caminho o desejo e, muito mais do que isso, a necessidade de fomentar o turismo como ferramenta de desenvolvimento econômico, de geração de emprego e renda.

Como se vê, potencialidade nesse setor é o que não falta. Sei que já se tornou lugar comum repetir que Guarapuava tem um clima semelhante a Gramado, cidade gaúcha, turística e internacional. O mesmo podemos dizer de Canela. Ou ainda que o município possui aptidão para o turismo de aventura, religioso, rural, cultural.

Afinal, temos também o Parque Recreativo Jordão com estrutura esportiva pronta e público garantido. Somos uma cidade cervejeira, sede de uma das maiores maltarias da América Latina. Temos um povo hospitaleiro. Somos pólo universitário e de saúde. Temos um bairro planejado, inteligente e queremos ser smart city.

O que nos falta, então? A continuidade de projetos que foram iniciados e abandonados no “andar da carruagem”? O apoio a iniciativas que já existem? Pois quero crer que essa última está sendo a política que vem sendo adotada pela Secretaria de Turismo de Guarapuava, dada as várias ações que vem sendo desenvolvidas no interior, na cidade e que se destaca agora com a Congresso Internacional de Turismo Religioso e Sustentável, de 10 a 12 de julho, no Vittace. Serão mais de 800 pessoas de vários países que aqui estarão, ocupando hotéis, restaurantes, consumindo.

Mas será que o nosso povo está preparado para recebê-los? As informações são de que treinamentos estão sendo feitos com pessoas que trabalharão no evento, de forma direta e indireta. O envolvimento da ACIG e do Senac contribuem para essa capacitação. Já é um começo e de forma correta. Mas não podemos esquecer que taxistas, ou motoristas de aplicativos, muitas vezes, são a porta de entrada para o bem ou para mal.

É a eles que os visitantes pedem informações, conversam sobre a cidade. É a atendentes do comércio em geral que está a chave do bom atendimento e a boa ou má impressão de quem é atendido. E se for pra falar de bom atendimento, em grande parte do comércio, esse requisito deixa a desejar. Como se vê, o turismo não depende apenas de ações políticas, mas do envolvimento da cidade, dos cidadãos.

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