Há muitas perguntas sem respostas

O dia na redação do Portal RSN é feito de debates sobre cada pauta que chega, corrida atrás de fontes, pontuada por buscas de informações para aprofundar o assunto e levar ao nosso leitor a informação mais precisa possível.

É frustrante, porém, quando buscamos respostas, dentro de uma visão mais crítica, e não as obtemos. Vamos ao último fato do dia: a notícia de que um freezer entraria na carceragem da cadeia pública de Guarapuava carregado por mais de 40 aparelhos celulares, uma serra e brocas, apesar das informações repassadas pela Polícia Civil e pelo Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) deixam questões em aberto.

Por exemplo, se a polícia civil diz que o freezer era do Depen, o órgão diz que é doação de uma família de preso. Se a Civil diz que são 42 aparelhos, o Depen fala que são 43. Mas não é apenas isso.

O mais intrigante é que a doação foi feita pela companheira de um preso que ao ser flagrada com o freezer “recheado” confessou “vender droga para sobreviver”. Portanto, é traficante. E esse já é o segundo a ser doado, já que o primeiro estragou.

Outro ponto que provocou debate na redação em torno desse assunto. Se as celas projetadas para duas pessoas estão até com 15 presos amontoados como há espaço para um freezer horizontal?

Se o eletrodoméstico fosse colocado numa das galerias, por exemplo, com o devido aval da carceragem, como afirma a nota enviada pelo Depen ao Portal RSN, é moralmente correto um freezer ser doado por uma traficante?

Das duas uma: ou foi comprado com dinheiro ganho pela venda ou foi recebido como pagamento de drogas. E justamente dentro de uma carceragem onde pessoas que praticam algum tipo de crime aguardam julgamentos. Me parece que está havendo uma inversão de valores.

Tudo bem que concordo que se faz necessário um mínimo de dignidade a quem, um dia, poderá ser reinserido à sociedade. Mas no meu entendimento isso é um dever do Estado. Mas esse é um outro assunto.

Voltemos aos fatos e seus questionamento. E o que dizer da entrada a granel de aparelhos celulares que circulam livremente de mão em mão? E sobre as mortes por enforcamento dentro das celas numa sequência macabra que leva a crer que há uma espécie de sentença de morte nos cubículos?

E as tentativas de fuga que, segundo um policial, já viraram rotina? São perguntas, as quais, por mais que busquemos, não temos as respostas. Mas também são questões que a exemplo de muitas outras, não saem da nossa pauta e continuam a ser temas de debates na nossa redação.

Um dia, quem sabe, vamos encontrar quem nos responde. E como já disse uma propaganda governamental: “somos brasileiros e não desistimos nunca”.

 

 

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