Homens choram.

Quem já não ouviu a expressão que os homens “vão ficando mais velhos e chorões”? Uma grande contradição com a frase que até bem pouco tempo era repassada de geração para geração para os meninos de que “homem não chora”.

A verdade é que por muito tempo chorar para os homens foi um grande tabu e para mulheres um exercício permitido. O curioso é que, ao passar por tantas experiências na vida, conquistas ou frustrações, muitas vezes aprisionadas em choros contidos, os homens naturalmente na maturidade vão se abrindo para o que realmente importa. Aqueles meninos proibidos de chorar vão, muitas vezes involuntariamente e até com certa vergonha ou constrangimento, se abrindo para a emoção de, sim, se permitir a SENTIR e EXPRESSAR.

A maturidade traz essa abertura e afofa a terra por vezes dura que por muito tempo sustentou uma farsa ideia de que choro e demonstração de emoção é sinal de fraqueza. Não! Sensibilidade também é força, um poder divino inclusive.

Sinto essa manifestação com vários homens à minha volta. Vi isso acontecer com os meus avôs, homens maravilhosos mas rígidos nesse sentido na vida adulta. Como velhinhos, emotivos e chorões lapidaram o diamante do ser amável e sentimental que realmente eram. Meu pai depois dos netos também se tornou um homem muito mais aberto para essa expressão de emoção e, ao contrário do que ouviu quando era menino, o vejo ainda mais lindo e forte quando chora com humildade. Como se a sabedoria crescesse regada a cada lágrima deixada rolar.

Somos humanos, o sentimento é a nossa natureza e ninguém merece reprimir nós na garganta e conter lágrimas que vieram para purificar, nutrir e fertilizar o campo de nossos corações. Isso causa mau humor, angústia e até doenças.

Acolhemos esse masculino mutilado que por muitas vezes por pura pressão foi se transformando em machismo e em tantas outras formas de negação dessa energia sagrada que há em nós.

Então, neste momento declaramos que o choro está liberado para mulheres e homens. É permitido chorar e expressar qualquer repressão por uma crença limitante de que não podemos sentir, seja alegria, tristeza, raiva ou pura emoção de falar de quem amamos ou no que acreditamos.

“… Daquelas dores que deixamos para trás
Sem saber que aquele choro valia ouro 
Estamos existindo entre mistérios e silêncios
Evoluindo a cada lua a cada sol…”

Dani Black.

O choro é livre, pessoal!
Ihuuuul! Viva nós!

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