A hora da jararaca

Ademar Traiano*

Falta uma semana para o histórico encontro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a Justiça. Será em Porto Alegre, no dia 24 de janeiro. Se o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmar a condenação em primeira instância, imposta pelo juiz Sérgio Moro, vai impedir que Lula se candidate a presidente por estar enquadrado na lei da ficha limpa.

Vai a julgamento o caso do tríplex do Guarujá. Aquele que Lula mandou reformar, visitou determinou mudanças, mas que não seria dele. Lula já foi condenado a 9 anos e 6 meses pelo juiz Sérgio Moro em Curitiba, por corrupção e ocultação de patrimônio. Com o julgamento em Porto Alegre terá a chance de comprovar, ou não, a tese da defesa de que sua condenação se deveu única e exclusivamente a uma nebulosa
conspiração direitista.

O próprio PT antevê uma condenação. A torcida é para que ela não seja unânime, o que manteria um imbróglio jurídico que poderia ensejar uma candidatura. O partido não sabe exatamente como reagir. A
capacidade de mobilização petista é hoje visivelmente menor que já foi em outras épocas. Está prejudicada pelo desencanto da militância ante a abundância de provas da corrupção do partido e de seu líder.

Os recursos hoje também não são mais tão abundantes. Nem por isso figurinhas carimbadas como João Pedro Stédile, Guilherme Boulos e José Dirceu deixam de ameaçar colocar fogo no país em mais uma
evidência do caráter bandoleiro e nefasto de sua ideologia. Ameaças graves têm sido endereçadas aos juízes do TRF4.

Manifestações contraditórias do PT. Lula vai ou não para Porto Alegre, a maior manifestação contra o Judiciário se dará em Porto Alegre ou na Avenida Paulista? As dúvidas podem ser uma tentativa de
despiste, mas também uma evidência da desorientação que invade a seara petista no momento crucial.

Nesse meio tempo o PT se concentra em uma guerra de argumentos falaciosos. O principal deles é o de que um pleito presidencial sem Lula não seria legítimo. Não seria? Por que não? Lula se coloca como
um réu político quando é apenas um condenado por corrupção. E essa sentença é apenas a primeira e a menos grave dos crimes que é acusado. Exigir, com todo esse prontuário, que o país precisa admiti-lo no pleito é um grave deboche.

O Brasil precisa tratar do seu futuro e realizar uma eleição tranquila. Sem tumultos e sem situações surrealistas de um candidato condenado, devendo sua soltura a condição de candidato; um homem que
só se mantem fora das grades devido a possibilidade de ser eleito para o mais alto cargo do país. O Brasil, que já se viu envolvido em tantos vexames patrocinadas pelo PT não merece passar por mais esse fiasco e
pagar mais esse mico.

Ao contrário do que sugere o PT, o julgamento de Porto Alegre é fundamental para que o país possa realizar sua eleição presidencial dentro de um clima de normalidade. O Brasil decente conta as horas à espera de um desfecho para o fim do impasse chamado Lula.

* Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e vice-presidente do PSDB do Paraná

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