Não deixem o samba morrer

Engana-se quem diz que Guarapuava não tem tradição em Carnaval. Em tempo não muito distante, clubes sociais e até mesmo a rua XV de Novembro, recebiam foliões. Eram fantasias diversas, blocos carnavalescos. Porém, tudo o que não é preservado, um dia se acaba.

Salvo, iniciativas isoladas de grupo de carnavalescos, Guarapuava já não se encanta mais com pierrôs e colombinas. E se há mais confetes e serpentinas pelo salão, também tradicionais clubes sociais que marcaram épocas, estão calados no reinado de Momo. Transformaram-se em cinzas pelo chão.

Me refiro a antiga Sociedade Operária Recreativa e Beneficente, o Operário. Sede de muitos carnavais que revelaram amores, o prédio, ali na rua Saldanha Marinho, no Centro da cidade, já não existe mais. Em seu lugar, um estacionamento privativo de lojas, nem de perto relembra a antiga Sorb.

Quem vendeu, quem comprou, para onde foi a dinheiro? Eu não sei. Aliás, procurei saber, porém, sem êxito. O que sei é que tinha sócios, muitos remidos – do qual meu pai, João Maria fazia parte. Se houve assembleia, ou alguma deliberação colegiada para a venda do patrimônio social, também não sei. Aliás, se alguém souber, gostaria de obter essas informações para poder contar.

E o que dizer também da antiga Sociedade Cruzeiro, que um dia pertenceu à colônia polonesa de Guarapuava? Depois de ser transformada em ‘bailão’ que beneficiou pouquíssimas pessoas, hoje dá lugar a um condomínio. Quem vendeu, se houve autorização de associados para essa venda, quem lucrou? Também não sei.

E o tradicional Clube Rio Branco, sociedade pertencente aos negros da cidade, com seus bailes, charangas e escolas de samba? Teve o mesmo destino dos demais citados acima. Sediou academia de musculação, salão de festas, ‘bailão’ e agora está fechado. Há demanda judicial pela posse da sede que fica em área nobre da cidade. E também possui associados.

Pelas bandas do Guarapuava Esporte Clube, a polêmica venda do Estádio Lobo Solitário, ainda ronda aquele que já foi o maior clube social da social da região. Quem não se recorda dos bailes carnavalescos, dos bailes do Cowboy, das gincanas que movimentavam a cidade? Hoje o alvi-negro se restringe a poucas promoções durante o ano, incluindo neste ano, dois bailes carnavalescos.

Localizado no coração da cidade, o Clube Guaíra, que foi considerado o ‘aristocrático’, se mantém calado. Já não se ouve mais o som das bandas, nem as marchinhas de Carnaval. O tradicional baile das debutantes ficou apenas na memória de álbuns de família.

Bom, como disse no início tudo o que não tem continuidade um dia acaba. Por isso, aplausos para quem tem q coragem de desafiar o tempo. E assim sendo, méritos ao pessoal do Grupo Contemplação. Me refiro, especialmente, ao Du, ao Zaque, ao ‘Geléia’ e aos demais, que tentam manter viva a memória dos antigos carnavalescos. Aplausos extensivos ao Tuto ou Josoel de Freitas que resiste e insiste na preservação cultural dos seus ancestrais.

Enquanto houver resistência, o samba, a cultura, persistem. E a eles eu peço: ‘Não deixem o samba morrer’. Preservam nem que seja um fio dos antigos carnavais para podermos dizer que Guarapuava ainda tem tradição de Carnaval.

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