NÃO É BEM ASSIM NÃO

TORNOU-SE CHAVÃO DOS DESESPERADOS proclamar, rangendo os dentes, que a Igreja Católica está em crise.

 

Qualquer idiota, acostumado a repetir qualquer bordão, por simplesmente apetecer o seu desgostoso paladar moral e intelectual, faz isso, obviamente, sem pestanejar ou questionar o que está verbalmente macaqueando e, por isso mesmo, continua a proceder desse modo imaginando que está exercendo a sua tão acalentada e idolatrada “consciência crítica”.

 

Não ocorre a essas alminhas agonizantes alguns pontos que, pessoalmente, em minha caipirice nada original, considero fundamentais.

 

O primeiro elemento que me ocorre, e que através dessas turvas linhas compartilho, é que tais pessoas [críticas] veem todo o pandemônio que assombra a Igreja e dizem, com o narizinho empinado, que esse furdunço seria a Igreja.

 

Nesse quesito, em meu ver, temos, de cara, um equívoco terrível quando ao que seja ela, a Santa Madre Igreja.

 

Isso mesmo! A Igreja não é simplesmente uma instituição humana com CNPJ; não é apenas e tão somente uma comunidade de fiéis. A Santa Madre Igreja é, fundamentalmente, o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo e nós, fiéis [não tão fiéis assim] somos parte desse corpo. Parte que muitíssimas vezes é causa de dor, vexame e escândalo, infelizmente.

 

Porém, diante dum mundo secularizado, que orienta-se a partir de premissas materialistas, niilistas e hedonistas, muitíssimas pessoas [inclusive e principalmente fiéis] não mais veem a Igreja como e pelo que ela é. Infelizmente, acabamos ignorando sua majestade divina por tomarmos nossa pequenez como medida de todas as coisas, inclusive de Deus. E aí, meu caro Barnabé, a confusão é o único resultado possível.

 

Um outro ponto que causa-me grande estranheza é quando vejo certos indivíduos, como o senhor Leonardo Boff e seus adoradores, com seu títulos e paetês acadêmicos, proclamando a crise da Catolicidade. Quando ouço ou leio algo que siga por essa vereda, torna-se mais do que evidente, aos meus olhos de capiau, a manifestação de um profundo desconhecimento e desdém pela história daquela que é Mãe e Mestra.

 

Ora, no correr de dois milênios de história, o Corpo Místico de Cristo enfrentou dores tão grandes quanto as que hoje o fustigam e, em alguns momentos, dificuldades muitíssimo maiores do que as atuais que atormentaram a Barca de São Pedro.

 

Você sabe do que estou falando? Sabe? Pois é. E é aí que a porca torce o rabo. A Igreja, que é eterna, não sofre crises. Quem entra em crise, quem está em crise, somos nós, pelas mais variadas razões. Dentre elas, destacamos em primeiríssimo lugar, o sentimentalismo oco, irmanado com o comportamento mecânico frente aos mistérios da fé, que andam de braços dados com um desprezo soberbo pelo estudo do patrimônio filosófico, cultural e científico que nos foi legado pelos dois milênios de tradição.

 

Por essas e outras, a Igreja não está em crise, nunca esteve e nunca estará. Porém, todavia e, entretanto, cada um de nós, por nossa debilidade fundamental, em misto com nossa vaidade e soberba pessoal, estamos [e como estamos] numa profunda crise moral, intelectual, existencial e, obviamente, civilizacional (porque, goste-se ou não de ouvir isso, a Igreja Católica é o principal alicerce da Civilização Ocidental).

 

Aliás, o simples fato de nós estarmos bravinhos ao ler essas toscas palavras, de não reconhecermos essa dolorosa realidade, denota o quão atolados nos encontramos nesse cipoal pós-moderno que tanto turva a visão de todos, inclusive e principalmente, de muitíssimas almas piedosas e bem intencionadas, mas que, por inúmeras razões, encontram-se perigosamente desarmadas e, por isso e muito mais, estamos a sucumbir.

 

Antes de findarmos, lembramos duma passagem do pontificado do Papa Emérito Bento XVI. A passagem é essa: certa feita um jornalista perguntou ao papa o que ele tinha a dizer a respeito da diminuição do número de fiéis da Igreja Católica e, ele, laconicamente, respondeu: “Nós, católicos, sempre fomos poucos”. Sempre fomos poucos, entendeu? Pois é, já imaginava isso.

 

Pausa para um bom café.

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