Negar por negar não resolve

Pior que a torre de Babel, com tantas línguas diferentes, a política nacional, estadual e local ‘confusa’ e ‘desbussolada’ vive dias de grande desorientação e os beneficiados desta mistura que demoniza a política de manhã, tarde e noite parecem ser os mesmos, ou seja, aqueles que estão lá e que querem com privilégios e  fórum privilegiado  apenas sobreviver.

Para piorar a situação, sofremos com a falta de veracidade de notícias. Não se sabe se toda e qualquer linha publicada é verdadeira ou não. Com tantas inverdades e notícias plantadas me assusta saber que as redes sociais e a internet definirão os próximos pleitos. Até mesmo pesquisas consideradas com alto teor de confiança são interpretadas e publicadas com vetos e recortes que interessam ou não interessam os atuais detentores do poder político e econômico. Via de regra há pouca ou quase nenhuma transparência sobre os conteúdos que se publica por aí. Ora, o pensamento crítico e o julgamento esclarecido não conseguem sobreviver neste mundo que deu adeus à verdade. Políticos estão sem credibilidade, mas as notícias sobre os mesmos chegaram a uma incredulidade tamanha que talvez seja melhor não ler mais nada do que se vê por aí em grupos de WhatsApp, FacebookGoogle e Twitter e notícias em jornais suspeitos.

Se a pós-verdade ou o que se diz por fake news é um câncer para a democracia e o momento político que vivemos, enxergo outro câncer, tão letal quanto este, a saber: a negação de tudo. A oposição pela oposição, o não pelo não, a destruição pela destruição são tão nocivos quanto as inverdades. Este niilismo perverso anula o mal, mas também o bem. Penso que o que conta na política é a afirmação. Entendo que há casos que a negação pode até ser necessária, mas é a afirmação que deve comandá-la, não o contrário.

Tenho observado, sob meu ponto de vista, que em muitos críticos ou em movimentos críticos o elemento afirmativo é pobre.  Há pouca proposição e poucas idéias novas concretas e este excesso de acidez tem feito mais mal que propriamente bem.

Sei que sair do sistema não basta [abandonar a arena política e suas tentativas], em algum momento será necessário quebrá-lo, mas isto precisa ser construído com novas potencialidades.

Nunca foi fácil viver em democracia, até mesmo quem a lançou (os gregos e Rousseau) tiveram grande dificuldade em defendê-la. Sei que a democracia [ mal interpretada ] é agradável onde cada um faz o que quer e o que conta são os desejos individuais, mas isto não basta, sendo mais malefício que benefício. A democracia precisa de idéias novas e hoje com tanta manipulação, inverdades e desinformações estamos vivendo sem idéias.  Viver sem idéias não é bom.

A grande sacada para reverter este quadro hostil e perturbador é que precisamos de pessoas disponíveis, abertas e plurais.

Não está fácil encontrar pessoas com disposição para participar da vida pública. Tenho investido muita energia em convencê-las.  Quando isto acontece, ‘os vampiros superiores’ [agentes da política tradicional] e a própria mídia trata de colocá-los em situação de pouca competitividade, inexperiência, aventura e escondê-los. A ironia do destino é que para estas pessoas extraordinárias, corajosas e teimosas (leia-se João Nieckars e Dr. Antonio Araújo entre tantos outros ) serem mais conhecidas e seus argumentos e justificativas  mais aceitos eles precisam das redes sociais e de tudo o que diz respeito à internet. A pergunta é: como acreditar nestas novas pessoas neste mundo de pós-verdade, manipulação e fake news? De fato não está fácil para estes novos protagonistas nem para os eleitores bem intencionados. Todavia, são nestes momentos de crise e incertezas que algo pode acontecer. Vamos fazer.

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