Nem por um segundo

Confesso que nem por segundo queria 'estar na pele' do secretário municipal de Saúde Celso Goes. Muito menos, no lugar que ocupa Cesar Filho

(Imagem: Observatório da Imprensa)

Confesso que nem por segundo queria ‘estar na pele’ do secretário municipal de Saúde Celso Goes. Muito menos, no lugar que ocupa o prefeito Cesar Silvestri Filho. Digo isso porque estou cansada de escrever – e assim como eu, os demais jornalistas do Portal RSN -, sobre o que é a covid-19 e as consequências letais dessa doença que massacra o planeta.

Mas nem por isso, as pessoas atendem, ou melhor, entendem o que o mundo está falando. Muito mais do que isso, o que os meios de comunicação no sentido global estão mostrando. Até parece que o Brasil é um recorte nesse cenário, envolto numa ‘ilha da fantasia’.

E voltando à minha confissão, não entendo se é o cúmulo da alienação ou da ignorância mesmo. Não há outra coisa a pensar. Embora, cada comentário represente o ‘mundinho medíocre’ em que se vive. Digo isso porque ouvi uma senhora, evangélica, dizer aqui no Jordão, onde moro, que álcool evapora, mas a fé em Deus fica. Ou seja, “só orando já basta. Porque, como disse o pastor, pneumonia sempre teve”.

E o que dizer do professor que numa ‘live’ feita pelo editor do Portal RSN, Gilson Boschiero, disse que não estava usando máscara porque, embora seja proibido sair às ruas sem esse equipamento de proteção pessoal, ninguém está fiscalizando? E a jovem que disse que ‘vamos morrer um dia’, como justificativa pelo não uso da máscara?

Bom, se temos um comandante que diz :’E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê’? quando questionado sobre as mortes pela covid-19, que só aumentam a cada dia no país, como posso ficar chocada com a resposta vinda de uma adolescente? Afinal, há um espelho que paira à frente do olhar do povo brasileiro. Cada um vê a imagem que quer.

O pior é que são absurdos como esses que ouço, e milhões também, não apenas de formadores de opinião locais, mas de lideranças políticas, a começar pelo presidente Jair Bolsonaro. E o que é ainda mais desalentador: com eco que ressoa numa legião de seguidores ensandecidos. Não quero dizer que isso também não ocorra com o outro lado dessa moeda.

Por isso, não quero mesmo, nem por uma fração de segundo estar no lugar de Celso Goes e Cesar Filho. O secretário, por exemplo, já não tem mais voz quando chega para as ‘lives’ diárias. Já não tem mais forças para implorar que a população preserve a própria vida. Ele já não pede mais. Ele implora. E mesmo assim, há pessoas que seguem cegas e surdas. Mas com falas cuja língua fere mais do que navalhas afiadas.

Porém, será que é tão difícil usar máscara, lavar as mãos, manter o distanciamento, e o principal de tudo, ficar em casa? Será que é tão difícil entender que se a pessoa não quer estar protegida contra a vírus letal, que respeite o próximo, a própria família? Entretanto, se não respeita a si mesmo, é praticamente impossível pedir que respeite a pessoa que está do lado.

E nesse turbilhão, o prefeito parece estar dentro de uma ‘panela de pressão’, sujeita a explodir de repente. Aí pergunto: se pessoas começarem a morrer – como já está ocorrendo? E se a atividade comercial entrar em colapso, como também já é uma realidade? A culpa será de quem? Abre? Fecha? O que fazer? É estar entre a ‘cruz e a espada’.

Assim, o mesmo povo que não está nem aí para o protocolo do coronavírus, que transgride ordens oficiais criadas para obrigá-lo a cuidar de si mesmo, será, mais tarde, o algoz das autoridades competentes. Como se a culpa não fosse de quem negligenciou um estado que já é calamidade pública. E como se não bastasse tudo isso, as bolhas purulentas do sarampo, a febre amarela, a dengue, a H1N1 estão por aí, pairando no ar e ávidas pra fazer a próxima vítima.

Como se percebe, o cenário não é nada alentador. Ainda mais quando temos um sistema de saúde onde há falta de equipamentos, de vagas em leitos especiais, de respiradores que oferecem o ar. Até parece ironia. As pessoas estão morrendo por falta de ar, um dos elementos essenciais à vida. Ah! E água, outro bem tão precioso e vital já está faltando.

Bom. Enquanto tudo isso desfila à minha frente, quero escrever o desfecho dessa história. Agora, se for por em xeque a competência de Celso Goes, da equipe de saúde e de como Cesar Filho vem conduzindo essa crise, ambos se equilibrando num ‘fio de navalha’, a partida está sendo ganha.

Porém, a jogada não depende apenas deles. É preciso dar xeque-mate, mas a peça principal são as pessoas. É preciso acordar do ‘berço esplêndido’ da alienação, porque, caso contrário, de nada vai adiantar o tudo que está sendo feito.

Assim, por tudo isso, prefiro ficar, sentada à frente da ‘minha arma’ de trabalho, contando histórias. Boa sorte Celso Goes! Boa sorte Cesar Filho!

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