O bloco da tirania!

(Foto: Ilustrativa/Pixabay)

O Brasil está em pleno carnaval. As antigas marchinhas não tocam mais e os pierrôs e colombinas já não dançam mais no salão. Em meio a marcha fúnebre quem faz a festa é o bloco da tirania, agora sem máscaras. Já não se distingue mais quem é a plebe e quem faz parte da realeza. Basta um toque e os leões são soltos na arena sob os gritos histéricos de uma plateia que não sabe quem é.

Morre uma criança, soltam o “ladrão”. Um pai, uma mãe e um avô choram uma dor que dilacera, que enluta a alma. Quanto maior a dor, quanto mais cruel for o golpe, mais histérica a plateia cega grita. Bate mais, bate mais. O corpo sangra, a alma geme como ninguém pode imaginar. A não ser que já tenha sentido essa mesma dor. A dor que lhe arranca um pedaço de si, que esmaga a alma, que corrói o corpo.

Ah! Mas o povo, o pobre ensandecido, continua gritando, sádico, como o vampiro que não para até sugar a última gota de sangue. E a marcha fúnebre continua. Sem pierrôs, sem colombinas. Num canto, o palhaço vê e não acredita no que vem presenciando nos últimos tempos. E chora uma criança que morreu num hospital público.

Um homem, com sua dor, voltou para a prisão. Um outro homem da realeza acena e pede mais. E o povo continua gritando. E o povo continua perdido em sua histeria. E o povo pede mais sangue. Agora não é o rei, mas é o povo que está nu. E o baile segue como a realeza quer, e o povo dança conforme a música, num som estridente, num tom desafinado. E a maioria canta, e a maioria aplaude, e a maioria grita e todos “dançam”. E a música segue: “Quanto riso, oh quanta alegria…”, canta o povo em sua tirania!

 

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