O caos está aí. O que fazer ?

Tenho lido autores que avaliam como poucos o que de fato está acontecendo com a política e a sociedade. Castells, Rancière, Vattimo ( depressivo em último grau ), Habermas e Agamben. Impossível não abrir-se às suas clareiras e isto tem me incomodado muito e me feito  interrogações: o que fazer ? O que dizer mesmo quando não há muito o que dizer ? Movimentar-se em que direção ? Talvez por esta razão, resultado de longa reflexão,  assumi em definitivo a opção por continuar um cidadão vivo e não migrar para  o lugar comum de cadáver político. É assim que declino de ir para o front no mundo real  da política formal  e fazer minha própria trincheira.

Em nosso País, tudo virou uma exceção. Não é mais possível jogar com as atuais regras políticas. Só se joga estando no sistema e entrando no sistema corre-se o risco da incompreensão de muitos  e de um nivelamento por baixo, parecendo ser uma    corrosão  do caráter.

Cresci ouvindo que o amanhã seria sempre melhor. O perspectivismo sempre  tentou atenuar os problemas e os demônios do passado. Agora, com os pés fincados no chão entendo  que temos que aprender a viver no caos. Isto pode ser até pedagógico. Não vejo horizonte nos próximos anos em nosso País. Vive-se o luto.  Um dos últimos redutos está caindo, dia após dia, a saber: a consciência do cidadão. Os restos e entulhos   da política partidária atingiu muitos. A população não acredita em mais ninguém.  O (a) eleito (a)  em outubro próximo não será outro (a) senão  a abstenção, a nulidade e o vazio branco. Infelizmente não  detecto sinais de vida útil na política como está. A reforma eleitoral privilegiou aqueles que já estão contaminados.  Uma parte do eleitorado mais consciente pode até buscar candidaturas alternativas, mas ainda assim será insuficiente pois terão pouquíssimas chances de sucesso eleitoral.

Estamos esperando uma mão invisível que nunca vem, mas será que não seria hora de assumir a responsabilidade de nossas vidas e de nossa sociedade,  sem intermediários ?

Nossos juízes do STF e dos TRF, acreditem, parecem ser piores que os agentes do Executivo e do Legislativo porque transformaram nossa esperança nas instituições em condomínios de amigos liderados por  caudilhos narcisistas.

Há legalidade, porque as leis são cumpridas, mas não há legitimidade. Como conseqüência disto  os cidadãos confiam menos nas urnas e a abstenção  tende a crescer.

Alguns ainda acreditam que é melhor ter qualquer coisa do que uma nulidade completa e endossam o côro de Bolsonaro e Ciro. Que cenário desastroso.  Mas alto lá,  mesmo vivendo um torpor político  é precipitado crer que não haverá um despertar barulhento.

 

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