O frescor do outono atravessa a janela

Outono na Morada da Lua (Foto: Orlando Silva)

Apesar do calor dos últimos dias o ar fresquinho dos fins de tarde em Guarapuava são um prenúncio do outono que se avizinha. Além desse frescor que se estende pela noite adentro, as árvores já começam trocar de roupagem, deixando o verde de lado para vestirem o amarelo avermelhado, típico da vida que se apaga.

Eu gosto dessa estação, muito embora, não seja muito conectada com o frio seja na proporção que for. Confesso, que frio pra mim tem que ter o vento congelante e os flocos de neve que caem do céu nova-iorquino. Entretanto, nessa contradição que eu mesma procuro entender, decidi que vou me entregar plenamente às características de cada ciclo que a natureza nos oferta.

Assim, entre uma reportagem e outra deste fim de semana de plantão, sentada à janela de uma parte da minha morada, me permiti fugir rapidamente das palavras. Olhava para o pé de tipuana que se apresenta imponente em frente de casa, derrubando as folhas a cada sopro de vento, por mais sutil que fosse.

Esse gesto se repetia no bosque ao lado de casa, repleto de álamos, ameixeiras, laranjeiras e plátanos. É ali que humildemente transporto a menor das frações do Central Park pertinho de mim. Ah! Como gosto de  ‘enterrar’ os meus pés no tapete de  folhas secas que cobrem o chão, a cada oportunidade que tenho de estar lá.

Dessa mesma maneira me permito olhar para as folhas que caem sobre o meu chão. E entre lembranças me deleito, no vai-e-vem da rede, embalada pelo vento.

E assim, me preparo para o ciclo de dormência que começa nesta sexta (20). E enquanto termino o meu plantão, o frescor da noite e o cheiro do mato, entram pela janela. Invadem o meu refúgio. É como se fosse o outono marcando território, pondo um fim nesse calor que provoca o suor caindo pelo corpo.

Assim, de mansinho a nova estação vem chegando, avisando que é hora de adormecer, de desacelerar, de se deixar levar pelas águas de março que se despedem do verão para dar espaço a um novo ciclo. E assim a vida segue, sorrateira, nos arrastando pelas asas do tempo a cada fim de tarde, a cada amanhecer de um novo dia. Assim como o verão que se vai. Assim como o outono que chega.

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