O fundo

Às vezes me pego tentando identificar em qual momento nosso Brasil se perdeu. Qual foi o momento que chegamos à conclusão que nada daria certo. Em qual instante o separatismo e a ignorância venceram.

Um país onde ter sucesso ou realizar uma grande conquista muitas vezes vem acompanhada de uma desculpa. Afinal, quantas vezes nós mesmos temos vergonha de mencionar algo conquistado. Muitas questões que deveriam ser aplaudidas em pé, ganham tons irônicos ou até mesmo a inveja ruim.

Será que foi quando fomos descobertos? Ou, ao longo dos anos durante algum governo qualquer? Em qual momento nossa educação foi escorraçada? Em qual passagem perdemos a compostura, a arte de se colocar no lugar do próximo, a flexibilidade e o entendimento? Hoje não consigo me identificar com nenhum dos lados, alguns empurram pra baixo por determinadas situações, outros ainda vão mais fundo.

Hoje temos medo da arte, medo da tirania, medo de educar, de repreender, de entender. É decepcionante ver um país tão rico de tudo ser tão pobre de mente. A pluralidade sempre foi nosso maior bem, mas atualmente está difícil respeitar, admirar, entender… Perdemos a nossa brasilidade e a nossa fé.

Os artistas protestam, os capitais jogam-lhes gelo. Os empresários protestam, outra classe esbraveja. A floresta protesta, os senhores feudais riem. E por aí os opostos se vão. O pobre e o rico, o hétero e o homo, uma raça e outra. Cada qual com sua corda puxando fortemente e quase estourando, e pouco entendimento sobre que um depende e ensina ao outro.

É triste estar em cima do muro, não porque aqui não é um bom lugar pra ficar, mas é decepcionante um país onde falta a classe, educação, cuidado e preocupação, se perder numa direita tão massacrante quanto a esquerda. Não podemos ter um lado, temos que almejar um mundo melhor onde o se colocar no lugar do outro é fundamental. Onde o respeito e o cuidado serão palavras de ordem. Onde admitir não saber é pura elegância. Onde aprender e ensinar sejam mais importantes que julgar.

Estamos pagando o preço de uma educação burra, superficial e de números. Prova maior é a quantidade de postagens absurdas e guerra de insultos nas redes sociais, comentários e mais comentários. Precisamos ensinar nossas crianças uma base forte baseada no respeito e admiração pelo diferente, que não importa se seremos mais liberais, conservadores, esquerdistas ou direitistas, pois, o que mais importa é somar essas diferenças e fazer um país rico de cultura, educação e respeito. Um país de admiração e não de inveja. Um país onde todos olhem para a mesma direção e busquem o mesmo ideal.

Talvez para se construir uma nova sociedade, a gente precise despedaçar toda essa atual e se, assim for, acredito que estamos no caminho certo. Porque hoje estamos quebrados sem corpo e alma para nos identificar. Que o gigante desperte, mas entenda que antes de qualquer evolução tudo começa com educação e respeito.

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