O guarapuavano é jacu?

Desde muito antes de escrever esta coluna, essa pergunta me assombra por anos

(foto: reprodução)

Eu ainda era criança quando comecei a me interessar por moda, sempre fui muito fã da modelo Gisele Bündchen e quando estava me preparando para prestar vestibular, até cogitei seguir carreira na área. Mas eu nunca senti uma grande receptividade do assunto dentro de casa, na rua, ou mesmo já na faculdade, quando decidi cursar comunicação.  E de mãos dadas, a frustração e a decepção, eram acompanhadas de uma frase que sempre ouvi por aí: “…são tudo uns jacu!”.

Antes que você me leve a mal, preciso dizer que eu não concordo com a afirmação, pelo menos, não com o teor empregado nela; mas levei bom tempo para entender o estilo do guarapuavano. O que eu quero dizer é que não é difícil achar bons looks pelas ruas da cidade, mas por vezes, me perguntei por onde andava a autenticidade, a audácia e aquela dose de atitude.

Tudo fica mais claro, quando você compreende que a moda não é algo fútil, fluído ou passageiro; a moda é um indicador social, ou seja, reflete aquilo que somos, vivemos e conhecemos.  E por isso, olhando mais de perto, podemos dizer que nós, os guarapuavanos, somos um reflexo de uma cidade ainda muito conservadora e coronelista. Por isso também, quando alguém se afirma por um estilo próprio e ousado, ela está batendo de frente com muitos e muitos anos de uma sociedade controladora, elitista e por que não, retrograda?

Analisando a pressão disso tudo, vestir aquela calça ou colocar aquela camiseta, agora, parece mais difícil, não?  Os olhares são só uma pequena parte do que compõe nossa herança cultural, por que o machismo e a homofobia também contribuem para que o guarapuavana não abandone o salto alto na EXPOGUA, e o guarapuavano tenha um guarda roupa abarrotado de camisas pólo. Fazer parte de um grupo é importante, buscar a sensação de pertencimento é nato do ser humano, mas queremos mesmo pertencer a um lugar assim? Se não conseguimos nem usar as roupas que queremos, quando queremos ou como queremos, temos forças pra impor o que recorrentemente reivindicamos?

Por fim, posso dizer que do meu ponto de vista, o guarapuavano não é jacu, mas sim, reprimido. Por isso, de uma vez por todas, precisamos entender que vestir é também um ato político e faz parte das pequenas revoluções diárias.

Essa coluna foi feita para te mostrar o verdadeiro valor da moda e que ter estilo é ser autentico, ousado e até mesmo jacu, se dessa forma você expressa a melhor versão de você mesmo. E para que livre de medos ou rótulos, você seja o que quiser.

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