O novo já nasce velho

(Foto: Reprodução/Pixabay)

A incapacidade dos partidos políticos em renovar seus quadros, nos leva a situação atual. Não existe um nome novo, ou melhor, uma nova liderança, que seja capaz de ganhar o aval do eleitorado. Porém, alia-se a essa ‘fraqueza’ a apatia de cidadãos e cidadãs em demonstrar interesse pela vida pública. Assim, se de um lado o desinteresse da estrutura partidária impede que novos líderes sejam formados, de outro, os escândalos políticos, a corrupção, desestimulam quem um dia pensou em entrar na política partidária. Fatos como esses vislumbram um futuro ainda mais incerto.

O por quê dessa contextualização? É muito simples de encontrar a resposta. Vamos começar por você mesmo. Tenho a certeza de que a sua vontade, assim como a da grande maioria, é ter à sua frente um candidato a prefeito, por exemplo, que se diferencie. Que seja uma liderança dotada do espírito republicano, sem personalidade egoica. Ou seja, guiada pelo interesse público coletivo, sem pragmatismo, sem atrelamento com posições políticas e expectativas eleitoreiras.

Difícil? Não sei responder. O que posso perceber é que as pessoas que se colocam à disposição do eleitorado, sob a ‘máscara’ de que será o representante no poder, passam por uma mutação quando chegam ao poder. Ah! Conheci e conheço tantos. Alguns, de forma sazonal, de quatro em quatro anos, mudam os adereços. Se transvestem de ‘pessoas do povo’. E apesar dessas críticas passarem de boca em boca, eles continuam lá, no poder.

Desse modo, percebo que se trata de um empobrecimento da qualidade do que as siglas tem a oferecer. Essas agremiações, em grande parte, foram e são achacadas por pessoas que se transformam nos piores de nós. Entretanto, se os partidos políticos estão imersos na incapacidade – ou seria, falta de vontade – de descobrir e investir na formação de novas lideranças, a sociedade está repleta delas.

A dificuldade é em reconhecê-las porque elas são informais no contexto da velha política. Elas estão espalhadas num coletivo de cidadãos. São empreendedores, industriais, profissionais liberais, artistas, acadêmicos, lideranças comunitárias, funcionários públicos, professores. São centenas, milhares, homens e mulheres, que estão dispersos e quem sabe apenas esperando um estalar de dedos para emergirem como força para a transformação de uma nova política.

Para o surgimento de novas lideranças. Aquelas tão almejadas por todos. Diferente do ‘tudo que está aí’, como se reclama. Porém, enquanto isso não acontece, por aqui, na terra ‘brasilis’, o novo, já nasce velho.

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