O perigo do enxame

Tempos difíceis estes que estamos vivendo. O enxame em forma de grupamento político ( pró-PT ou contra PT ) em todos os níveis tem prevalecido sobre a consciência individual. Como Umberto Eco tinha razão quando fazia menção à bestialidade nas redes sociais e suas conseqüências irracionais. Que espaço perigoso tem sido este ambiente. Há muito mais ressentimento que propriamente sentimento.  Vejo ali palavras tão violentas quanto tiros.  Trata-se de uma barbárie. É uma pena que o paraíso prometido pela web transformou-se em um inferno e agora, sob suspeita, está sendo acusada de manipular eleições lá e aqui.  É difícil mensurar o custo que pagaremos amanhã por conta desta toxicação. Relendo Hobsbawn e a era dos extremos não consigo dissociar a multidão que votou em massa em Hitler  ou que apoiou Stálin e Hugo Chaves e os que hoje ocupam redes sociais com tanta radicalidade e irracionalidade. Esta teoria do enxame ou do linchamento público é muito perigosa e faz-nos lembrar da célebre frase de Roland Barthes: “a língua é fascista [tanto de direita quanto de esquerda] não quando proíbe, mas quando obriga a dizer”.

Fico aqui pensando que antídotos  poderíamos utilizar para atenuar este caos em um período extremamente conflitante e nocivo – as eleições.

Alguns optaram pela desconexão, pelo fechar-se às notícias e eventos, desligando-se e recusando coisas desimportantes.  Outros optaram pela diplomacia e/ou arbitragem, exercitando-se para o respeito à diversidade. Outros ainda, mais ativos, optaram pela participação efetiva e direta no processo eleitoral, seja como militante ou colocando-se à disposição do pleito defendendo a tese de ‘menos manifestação e mais ação concreta’.  Para isto é preciso ganhar eleições e não existe outro jeito senão persuadir e convencer pessoas, civilizadamente.

Todavia, um número significativo de pessoas, não querem  atenuar o caos, mas sim dominar o caos ao seu estilo. Trata-se de uma opção com cheiro de guerra civil, com enfrentamento direto e às vezes inconseqüente, fundada no medo e na indução à violência. Às vezes, este tipo de ação quer ultrapassar a ordem, a norma e dispositivos que tem potencialidade para proteger a todos. Chamo isto de ‘estado insuportável’. Lembro aqueles que abandonaram a civilidade necessária que o momento é propício para vencer eleições e não guerrear, em vez de levantar espadas no ar e radicalizar a expressão, talvez o melhor seja participar, ganhar e modificar o país e a cidade.

De fato, temos muitos manifestantes histéricos e poucos com disposição para mudar a realidade de fato com regras legítimas. Não custa lembrar que ato político é muito maior que dedos nervosos em aparelhos eletrônicos em redes sociais ou gritos inconseqüentes.

 

 

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