Feder sai antes de entrar pautado pela desorientação no MEC

O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder passa por um processo de ‘fritura’ no Governo Federal. Nem bem o  presidente Jair Bolsonaro o anunciou como o novo ministro da Educação, houve um ‘levante’ por parte da bancada evangélica e da ala que obedece o ‘guru’ Olavo de Carvalho. Essa reação impediu que a nomeação do secretário do Paraná fosse publicada no Diário Oficial da União (DOU). Ele teria uma agenda com Bolsonaro nesta segunda (6).
Mais uma vez, a ‘queda’ de um ministro antes mesmo de assumir, mostra que o primeiro escalão do governo está desorientado, considerando que a educação é de fundamental importância para o futuro do país. Nesse contexto dos últimos meses, Feder detém o recorde no MEC. O último ‘ministro’, Carlos Alberto Decotelli, não chegou a ficar quatro dias como titular da pasta. E olha que foi ‘ungido’ pelas alas ‘olavista’ e militar do Planalto. Porém, Feder experimentou a sensação por menos de 48 horas. Se contra Decotelli pesou o ‘escândalo’ de plágio em dissertação de mestrado e títulos falsos de doutorado e pós-doutorado, contra Feder o peso maior pende para posturas políticas.
Há informações de que ele doou R$ 120 mil para que João Doria (PSDB) concorresse à prefeitura de São Paulo. É bom lembrar que Doria é hoje ‘arqui-inimigo’ de Bolsonaro. Porém, não é apenas isso. Feder já foi denunciado por sonegação fiscal de R$ 22 milhões em ICMS,  da empresa Multilaser, da qual é sócio. Entretanto, no viés ideológico, no livro ‘Carregando o elefante — como transformar o Brasil no país mais rico do mundo’, escrito por Feder em 2007, em coautoria com Alexandre Ostrowiecki, surgem as bandeiras rechaçadas pelo governo Bolsonaro. São elas, a legalização das drogas, a extinção do MEC, e a forte redução das Forças Armadas. Como se não bastassem essas posturas, ele ainda apoia a  privatização do ensino público. O começo seria pelas universidades.
Todavia, Feder já disse que reviu esses conceitos. “Escrevi um livro quando tinha 26 anos de idade. Hoje, mais maduro e experiente, mudei de opinião sobre as ideias contidas nele. Acredito que todos podem e devem evoluir em relação ao que pensavam na juventude. Gostaria de ser avaliado pelo que eu penso e faço hoje, como um gestor público, ao invés de um livro escrito quinze anos atrás”, escreveu neste domingo (5) no Facebook.
Entretanto, nem por isso convenceu os opositores no governo federal. Portanto, a ele resta continuar no comando da Seed no Paraná, sem sequelas elas da ‘fritura’. Mas  o novo episódio no Ministério da Educação, comprova, mais uma vez, é que essa área no atual governo, está sendo pautada por polêmicas e embates ideológicos. São idas e vindas de ministros sem que um deles consiga emplacar. Não há consenso, não há articulação entre os pares do governo. Essa realidade é triste, pois mostra, a falta de rumo, amadorismo e a irresponsabilidade para com um dos setores mais importantes da administração pública de um país.
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