O “romantismo” de ser mãe também dói

Ser mãe, dom divino que transforma o nosso ventre em sacrário. Mas como é conviver com a dor pela perda de um filho? Hoje, 13 de maio, há exatamente 30 anos devolvi um dos meus tesouros ao Universo, ao ventre da Terra- mãe. Juan, a nossa estrela cigana, era evoluído demais para continuar vivendo nesta dimensão. A dor, com o passar dos anos, a partir de conhecimentos, de novas doutrinas, se transformou numa saudade sem fim. Entendi que a vida é cíclica e que as pessoas mais evoluídas espiritualmente logo se vão, que o seu tempo entre nós é curto. Isso consola? Ameniza o sofrimento, eu diria.

Hoje, Dias das Mães, coincidentemente, escrevendo sobre a data, me pus a refletir, não sobre o lado romântico da maternidade, mas sobre as coisas que passamos a conviver com essa transformação que passa, não só pelas mudanças físicas do corpo, mas também da mente. Passada a euforia do resultado positivo, – para muitas, uma dádiva, para outras, pesadelo, a “ficha cai”: serei responsável por colocar no mundo – que cá entre nós, não está nada fácil -, uma nova vida; de que sexo será? Nascerá saudável? Será perfeito, sob o ponto de vista mental e físico? O que será quando crescer? Vou conseguir criá-lo de forma correta?– como se isso existisse. Olha só o peso dessa responsabilidade. Paralelamente a isso, lá vem os enjoos, os inchaços, o sono, a fome que não sacia, os quilos a mais, a preocupação com o enxoval, com a hora do parto, os incômodos na hora de dormir, a insegurança. Isso pra citar somente parte do que passamos nos nove meses de gestação. Pensa que é fácil? De jeito nenhum, mas o dom da maternidade, dessa maravilha que só cabe a nós, mulheres, saber entender, vivenciar, desfrutar e se realizar, supera qualquer coisa. Tudo bem. Nasceu e já começamos a perder o vínculo que nos une ao bebê. O cordão umbilical é cortado, mas mesmo assim continuamos um só. Lá vem as cólicas, as dores de ouvido, os estados febris, os primeiros dentes, os primeiros passos, a primeira escola, a infância, os conflitos da adolescência, os amores, os desamores que seguem pela vida toda, até mesmo quando deixam a condição de serem filhos parasse transformarem em pais. E nós, estamos lá, continuando sem dormir para amenizar dores e choros na madrugada, independente da fase da vida em que encontram, quer seja enquanto bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos. Essa condição se redobra quando vem os netos.

E é tudo isso que nos faz plenas, mulheres completas, mulheres mães. Verdadeiras lobas que defendem a sua cria, não importa quantas. Se fosse possível daríamos a própria vida, mas damos o nosso corpo, o nosso tempo, a imensidão do nosso amor, compartilhamos a nossa vida. Só uma coisa a mais: acho que nenhuma mãe deveria sobreviver aos filhos.

Mas ser mãe é, principalmente, entender tudo isso e saber conviver com as perdas  que vem, mesmo, quando batem asas e alçam voos, quer seja para outros ares ou para o infinito. Salve Juan (estrela), Diego, Luana, Lorenzo, Sophia, Thales, Leon e quem mais chegar!

 

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