O vírus mais letal está na mente humana

Cada vez mais me convenço que o ser humano não deu certo. E chego à essa conclusão desprovida de qualquer ideologia religiosa. Pelas próprias atitudes que venho observando desde sempre, mas que se intensificaram nas últimas eleições presidenciais só pode ter uma conclusão: o vírus mais letal está na mente humana. É difícil quem não seja infectado.

E como estamos em tempos de máscaras, e já virou chavão, tenho que dizer que nesta folia, as máscaras continuam penduradas, muitas, quase no chão. São palavras inconsequentes que se replicam aos milhares em cada minúscula fração de segundos. O fel do ódio continua imperando, tentando desestabilizar quem procura fazer o bem.

Digo isso porque há quem ocupe o seu tempo, que deveria ser precioso, em disseminar notícias mentirosas, sádicas, que só podem querer aplaudir o pânico. E como as ‘fake news’ se reproduzem velozmente.

Outros, continuam se degladiando em grupos nas redes sociais. Assim, o que era para ser uma comunidade entre amigos, virou uma arena, onde o próximo, aquele que discorda, é jogado aos leões.

Não há tolerância, compreensão, respeito. Ninguém mais tem direito ao contraditório. O mundo parou virado de ponta cabeça. Não há mais sensatez, discernimento.

Já não se fala mais em amenidades. Já não se relembram tempos passados onde a cumplicidade, a amizade ditava os encontros. Já não se fala mais em namoros inocentes, do disparar do coração só em vê chegar a pessoa amada. Hoje o que impera é a raiva, o ódio, a desconfiança. E como bem disse o prefeito Cesar Silvestri Filho, recentemente, “daqui a pouco, vão querer carimbar os que defendem medidas de prevenção mais rigorosas de comunistas manipulados pela mídia, e os que querem manter a economia rodando de fascistas que não tem apreço pela vida. Isso seria reduzir a importância desse momento a uma mediocridade e insignificância absurdas”.

Aliás, foi uma das coisas mais sentadas que li nos últimos dias. Porém, caro prefeito, entendo que o seu ‘daqui a pouco’ está sendo agora. Não se pode falar deste ou daquele que somos rotulados da mesma forma. Não se pode noticiar algo que algum município, que não seja o nosso, está fazendo que ouvimos dizer que a ‘grama do vizinho é melhor do que a nossa”. Somos agredidos em massa, no que pese poucos pedidos de desculpas feitos depois.

É como se fosse um apoderamento egoísta num momento em que vírus nos dá a maior lição de que precisamos lutar pelo bem comum.

Não se pode defender o isolamento, como pedem  todas as autoridades mundiais de saúde, que somos ‘esquerdopatas’. Não se pode dar voz a outras ideologias ou outros posicionamentos políticos que somos ‘jogados aos leões”. Entretanto, vamos continuar dando voz a todos, sim. É a premissa básica da comunicação responsável e ética.

Porém, como parte da natureza humana que sou, que somos, quero crer que a grande maioria vai sair desta pandemia um pouco melhor. Mas como disse no começo, o pior vírus continua alojado na mente humana. E pra isso, será que um dia teremos algum antídoto? Enquanto isso não ocorrer, só posso continuar acreditando que o ser humano não deu certo. Que pena!

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