Oferecer o sangue à terra (plantar a lua): uma ferramenta de poder feminino

Imagem da artista francesa Cendrine Rovini

 

Devolver o sangue à terra. Este é um ritual milenar, desde as culturas matriarcais, que está tendo o seu valor retomado atualmente. No Brasil foi um assunto amplamente comentado no último mês especialmente depois que uma atriz Global, Bianca Bin, compartilhou a informação que viralizou nas redes sociais por ser adepta à prática.

Não vou esquecer o sentimento que tive quando esse desejo tocou definitivamente o meu coração e passei também a plantar a minha lua (sangue menstrual). Sim, segundo os rituais antigos, o ciclo feminino de 28 dias está muito ligado às fases da lua e, quando nos referimos a ele desta forma (ciclo lunar), energeticamente nos conectamos com essa natureza integral que existe dentro de cada mulher, cheia de poderes intuitivos.

Então, no meu caso particular, plantar a lua foi dar um novo valor, absolutamente mágico, àquilo que por muito tempo foi motivo de desconforto, repulsa, rejeição, cólicas e consequência de TPM (tensão pré menstrual).

Quando plantamos a lua conhecemos melhor o nosso fluxo, devolvemos o sangue à terra que nos resgata muita energia, ajudamos o nosso organismo naturalmente a se equilibrar em seus elementos e ainda ajudamos a preservar o meio ambiente, pois os absorventes descartáveis são altamente poluentes – aproximadamente 180 kg de lixo produzidos e descartados durante a vida de uma mulher.

Há quem diga que quando todas as mulheres plantarem a sua lua não haverá mais guerras no mundo. E essa linha é lógica quando imaginamos que esse exercício de descoberta sobre si mesma e sobre o universo feminino é tão potente que realmente tem o poder de contaminar positivamente todo o planeta com o despertar de uma consciência seguramente mais amorosa. É puro autoconhecimento!

A minha experiência tem sido muito bonita, inclusive diminuindo significativamente os sintomas de TPM e abrindo um espaço de entendimento gigantesco interno sobre a minha linhagem feminina e sentimentos que geneticamente carrego provenientes de minhas ancestrais. Eu escolho hoje me conectar com a energia de sabedoria das minhas anciãs. Estou no caminho olhando para cada passo com honra a elas!

Para as irmãs mulheres que também sentem o chamado para plantar a sua lua, segue aqui algumas dicas:

– Abandone os absorventes descartáveis. Para coleta do sangue lunar use coletores menstruais de silicone (eu uso o Inciclo) ou absorventes naturais (as antigas toalhinhas da vovó que hoje podem ser compradas pela internet – e são muito fofas). Esse processo com tecido exige que os absorventes sejam deixados numa bacia com água, sem sabão. Após o sangue ser dissolvido na água que será descartada na terra, os absorventes devem ser lavados normalmente e secos para a próxima utilização.

– O sangue de quem toma anticoncepcional não é fértil para a terra como o de um ciclo natural. Dica fraterna, mulheres: os anticoncepcionais fazem muito mal para a nossa conexão natural feminina e estudos científicos já provaram que aumentam grandemente a probabilidade de graves riscos para a saúde como AVCs e trombose. Reavalie esse hábito em sua vida!

– Se utilizar coletor de silicone, deve misturar o sangue com água antes de descartar à terra. O fluxo é bem menor que você imagina e não tem mau cheiro como o que fica nos absorventes descartáveis. Nosso sangue tem muita beleza, acreditem!

– O ideal é ter um espaço no jardim que ofereça essa água e até tenha uma planta que estabeleça uma relação e conexão com a terra. Se mora em apartamento não tem problema nem desculpa mental. Pode descartar em algum vaso grande de plantas ou até achar um parque ou canteiro que possa oferecer a sua lua. Eu escolhi um pé de babosa no jardim da casa dos meus pais que está crescendo lindamente mais rápido. Há relatos de mulheres que harmonizam seus ciclos com o desabrochar de flores. Não é lindo?

– No momento em que planta a sua lua silencie e ofereça tudo o que viveu no último ciclo, especialmente aquilo que você deseja desapegar em sua vida, com generosidade e compaixão. Fique serenamente atenta a respostas e insights depois dessa prática.

Sei que muitos podem achar tudo isso coisa de bicho grilo ou mais uma história de uma maluca natureba. Cada coisa em seu tempo. Tenho um professor que sempre repete que a responsabilidade do conhecimento é a partilha. Então, estou aqui compartilhando um dos mais preciosos ensinamentos que já recebi e pelo qual sou muito grata, na esperança de que outras mulheres também sintam o seu próprio poder, precioso e intenso. Se uma apenas já se sentir tocada, já terá valido muito a pena!

Compartilhem também suas experiências, até que o mundo esteja em paz.

Com amor,

Beijos.

Jo

 

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