Oração da camomila para mulheres

Tenho usufruído dos efeitos maravilhosos desta planta tão doce e forte chamada camomila que tem um canto de cura em cada uma de suas pequenas pétalas para tudo o que se possa imaginar. Então, hoje, como forma de expandir esse presente, compartilho um texto precioso escrito por Palmira Margarida em forma de oração.

Beijos. Jo.

 

Compartilho uma “oração” suave e bailante, soprada pela nossa matriarca do mundo vegetal, a camomila. Algo simples e profundo que conseguimos ouvir quando silenciamos o barulho de fora e escutamos com a alma. O chamado é para mulheres e, se você é homem está lendo esse texto, pode encaminhá-lo para as mulheres reais de sua vida.

 

Você pode fazer oração todos os dias e em qualquer horário, mas, preferencialmente, ao acordar, pois é um chamado solar à camomila, para começar o dia. Quanto mais você fizer, mais irá introjetar em suas células essas belas afirmações!

 

“Camomila, querida, que hoje eu me permita deitar no seu colo, ser acolhida e ver a mulher maravilhosa que sou.

 

Que neste exato momento eu perceba que sou dona desta vida que me foi concedida e que dela faço o que quiser, e não o que os outros desejam que eu faça.

 

Que eu possa ter ações que, de fato, me realizarão, e não para agradar o outro por carência. Eu não preciso disso! Eu tenho a mim e a ouço dizendo que tenho você e posso recolher-me em suas pétalas sempre que for preciso. É só fechar os olhos, sentir seu cheiro e sentir-me quentinha e amada, afinal, o amor que você sente por mim nada mais é do que o reflexo do meu auto amor, que, até agora, não havia me permitido enxergar. Agora me concedo ver que me amo! Imagino-me criança e me pego no colo, abraço, beijo e dou sorrisos. Eu me amo e, nesta cena, consigo confirmar!

 

Percebo que não há ninguém que possa me dizer o que fazer, como me comportar, nem para onde ir.

 

Entendo que sou minha dona, que controlo meus raios e tempestades.

 

Que carrego dentro de mim um ventre cheio de criatividade.

 

Que sou capaz de parir não só vidas, mas, principalmente, ideias, nutrientes para a terra, bênçãos, amor e  também fúria, se for preciso defender-me ou proteger o que é meu.

 

Concordo que não sou santa, nem puta, nem bondosa, nem má, apenas sou, estando livre dos rótulos que tentam me colocar e, assim, me prender. Desato nós, rosno como onça e voo como pássara!

 

Sinto que em minhas mãos exalo o calor da cura.

 

Compreendo que meu coração pode estar, agora, fechado, mas que, neste exato momento, eu mergulho em seu amor incondicional e o desabrocho, não importando quantos espinhos tenha, quantos já o feriram, quanto sangue saiu, eu reconheço que tudo isso só me fez mais forte e que, neste instante, mereço florescer e ser plena!

 

Mereço despertá-lo não para alguém me amar, mas para eu mesma me amar e, dessa forma, sentir todo o amor abundante que caminha neste Universo.

 

Camomila, mãe querida, abençoa a minha capacidade de fala, minha escuta e minha autoconsciência, para que eu saiba me defender quando preciso, assim como Kali e Durga, para que eu aceite ouvir minha intuição e reconhecer quais caminhos seguir. Para que eu não tenha medo daquilo de que a sociedade me fez sentir medo, entendendo que o mesmo foi fomentado em mim para que eu não seguisse adiante.

 

Neste momento, camomila, proclamo: sigo avante e não há nada que possa me impedir e, se há, é tudo fruto de minha mente e, como comandante de mim mesma, extermino agora, na leveza, no amor e com eterna gratidão, tudo que eu permiti me fazer sofrer e todos que eu consenti que me magoassem, me oprimissem e me colocassem medo.

 

Admito que fiquei por um tempo em pensamentos, memórias e emoções do passado, mas, agora, os encaro e, junto a ti, irmã camomila, eu os reverencio e digo em alto e bom som: eu me liberto, porque vocês não pertencem mais a mim, pois não sou o que me aconteceu, mas o que faço do que me ocorreu e, hoje, passo a fazer e pensar diferente! E, com todo o meu poder geracional, de cura, de amor, força e coragem, eu digo ao Universo: eu reconheço que sou livre e filha do vento. Eu sinto meu poder de adaptação, como a água, liquefeita, a novos e bons padrões para mim. Sou divina, sou parte de algo infinito, próspero e belo.

 

Eu sou como a flor de camomila: pequena, leve, simples e capaz de me auto curar. Eu acredito em mim, me amo, com todas as minhas imperfeições, dúvidas e mudanças. A partir de agora, eu me reencontro, pois me reconheço, e não importa o que já tenha passado ou o que fiz, nem meus erros ou receios, apenas meus acertos e conquistas que, analisando de perto, já foram muitos! Eu sou quem sou, sempre seguindo, e tenho orgulho da mulher real que me torno todos os dias!”

 

Eu, a camomila, entrego um abraço fraterno em você, mulher, que luta para ser quem é, por fazer, diariamente, o melhor que você pode. Eu a amo, porém, o mais importante: você é capaz de se amar!

 

Palmira Margarida é historiadora e atualmente é doutoranda na UFRJ. Pesquisa sobre neurociências, os cheiros e  as emoções. Estuda também neurobiologia das plantas e é a pisciana mais ariana de que se tem conhecimento. Descende de italianos e adora uma massa, mas fala sem gesticular. Ama viajar e captar os aromas das trilhas, das culturas e das ideias. Está em busca do profundo perfume do Ser. Escreve neste espaço às quintas-feiras. Para informações sobre seu trabalho com aromas, visite o site www.perfumebotanico.com.br ou entre em contato pelo e-mail: palmira.margarida@revistavertigem.com

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