Órfãos do socialismo

*Ademar Traiano

Um êxodo de dimensões bíblicas, sob as vistas do mundo, acontece na América do Sul. Pelo menos 40 mil venezuelanos famintos já atravessaram a fronteira com o Brasil com a Venezuela e se amontoam em
Boa Vista, em Roraima, à espera de um pedaço de pão e da expectativa de trabalho. O Brasil da crise e dos altos índices de desemprego parece a esse povo desesperado uma terra das oportunidades.

A falência do chavismo atirou dezenas de milhares de desesperados órfãos do Socialismo do Século XXI para as fronteiras da Guiana, da Colômbia e do Brasil. Na capital de Roraima, boa parte deles recebe pão e um copo de leite, e dorme ao relento. Mesmo essas condições precaríssimas parecem melhores que as que tem em seu país.

“A vida nas ruas do Brasil ainda é melhor do que continuar na Venezuela, porque aqui tem comida”, resume Luiz Gonzalez, de 36 anos, que chegou ao Brasil há menos de uma semana. Sem dinheiro, assim como
muitos outros, ele dorme no chão da praça Simon Bolívar ocupada por mais de 300 venezuelanos recém-chegados a Roraima, registra o portal G1.

Durante mais de uma década, o governo brasileiro, comandado pelo PT, bateu palmas, apoiou e financiou a loucura bolivariana de Caracas. Os crescentes atentados a democracia eram saudados por Lula e Dilma, que
sonhavam produzir aberrações semelhantes no Brasil. Com o proverbial descaramento, Lula dizia que na Venezuela havia “democracia demais”. Assim como a democracia, a economia da Venezuela derreteu. Os
venezuelanos fogem da fome, mas também da gravíssima escassez de remédios, da instabilidade política e de uma inflação anual estimada em 4.000%.

Desde 2013, o país empobreceu cerca de 37%. Em média, cada venezuelano se tornou quase 40% mais pobre em cinco anos. Só para efeito de comparação, no Brasil, onde os tempos também andaram bicudos, o
empobrecimento no período foi de 9%. Ou seja, na Venezuela a evaporação da riqueza foi 400% maior. Quem sofreu os efeitos da severa crise brasileira, pode bem imaginar o que seria se ela fosse quatro
vezes maior.

A falência do regime bolivariano pode ser medida e também pesada. Cerca de 73% dos venezuelanos perderam peso em 2016. Eles emagreceram em média 8,7 quilos no ano, segundo pesquisa citada em relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Esses dados devastadores não impedem que Nicolás Maduro, presidente do país, denuncie qualquer questionamento ao regime como uma perversa conspiração neoliberal destinada a impedir a continuidade dos impressionantes êxitos da revolução bolivariana.

Com a mesma desfaçatez com que Lula afirmava que havia democracia excessiva no país de Hugo Chávez, seus seguidores do PT continuam defendendo o chavismo. Insensíveis a destruição da democracia e as
pavorosas condições de vida a que foi reduzido o povo da Venezuela, petistas e ‘movimentos sociais’ que gravitam em torno do lulismo, continuam impávidos defendendo o regime bolivariano, indiferentes ao
fato que os pobres, que eles juram defender, são as maiores vítimas dessa catástrofe.

*Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e vice-presidente do PSDB do Paraná.

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