Osmar Dias e a outra face

(Fotos: Divulgação)

Qual é cristão que desconhece a passagem bíblica  dos irmãos Caim e Abel e da traição do primeiro ao matar o outro, narrada  no livro de Gênesis? Bem, os motivos que levaram ao primeiro homicídio da história da humanidade, não vem ao caso neste momento, mas o fato real é que o pré-candidato ao Governo do Paraná, Osmar Dias, se viu traído pelo seu irmão Álvaro, que postula a candidatura à presidência da República.

“O Álvaro deu uma apunhalada no irmão”, disse a assessoria de Osmar a esta jornalista nesta quinta feira (2).

Numa interpretação da passagem bíblica citada acima, como me foi explicado nesta quinta, Caim era o primogênito de Adão e Eva, lavrador, e como naquela época, o primeiro era quem herdava tudo, incluindo a casa dos pais, enquanto ao pastor de ovelhas, Abel, o que coube foi a morte, Álvaro Dias preferiu manter a sua candidatura e o apoio do PSC nacional, em detrimento da pretensão política do irmão mais novo. O PSC é o partido original de Ratinho Júnior, estruturado e fortalecido por ele, no Paraná. Aliás, o candidato do Governo do Estado, hoje pelo PSD, mas mantendo o Partido Social Cristão na sua base política, desembarca em Brasília nesta sexta (3), na convenção do Podemos, com uma legião de apoiadores. Vai posar ao lado de Álvaro Dias e retornará com o apoio deste para as eleições majoritárias do Estado.

O PSC também emplaca o ex-presidente do BNDES Paulo Rebello de Castro como vice de Álvaro. Ele lançou o seu nome à presidência pelo PSC durante a convneção n acional no último dia 20, mas um acordo com Álvaro resultou nessa dobradinha.

Osmar Dias, por sua vez, embora sua assessoria insista em dizer que ele mantém a candidatura ao Governo, segue mais isolado do que nunca. Osmar Dias segue conversando com partidos que ainda não oficializaram alianças, como é o caso do PPS e do PSB.

Porém, um vídeo gravado por Osmar Dias e que vem sendo divulgado é um convite que o pré candidato faz para a convenção do PDT neste sábado (4), em Curitiba. Entretanto, ele apenas se refere às candidaturas a deputados estadual e federal, sem citar a sua ao Governo e nenhuma outra ao Senado Federal.

A bem da verdade, como Osmar já descartou a aliança com o MDB, e o seu discurso até agora é de oposição ao Governo de Beto Richa, e, por extensão ao mandato de Cida Borghetti, já que a governadora prega a continuidade do governo da qual foi vice, caso Osmar faça a sua opção pela candidata do PP, perderá o seu discurso e a sua coerência política.

Uma possível aliança com Ratinho Júnior? Tudo bem que Osmar Dias também vem dizendo que Ratinho Jr e Cida estão no mesmo ninho, já que o primeiro compôs a linha de frente de Richa como titular da Sedu, mas, pelo menos, manteria a palavra do compromisso assumido com o irmão mais velho de que nunca estariam um contra o outro. Se Álvaro apunhalou Osmar, conforme a expressão que vem utilizada nas hostes pedetistas, será a chance de Osmar dar a outra face, invocando aqui mais uma passagem bíblica.

E como na política tudo pode acontecer até o último instante, como ouvi do deputado Artagão Júnior, nesta quinta feira, “uma hora a nuvem está aqui, em outra já está pra lá”, não será surpresa se Osmar declinar da ideia inicial e aceitar uma das vagas ao Senador Federal na chapa de Ratinho Júnior. Se isso acontecer, Álvaro e Osmar, para a felicidade da família, continuarão no mesmo palanque. Caso contrário, o pedetista sai destas eleições com um mais um saldo negativo na oportunidade de governar o Paraná.

Comentários