Pobre poder!

Enquanto mulheres se organizam em redes e buscam fortalecer a sororidade esse universo encontra pedregulhos no meio do caminho. O mais recente foi o ataque machista, sexista e hostil feito pelo chefe maior do país contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo. Dessa forma, desde a interlocução misógina do presidente Jair Bolsonaro, nessa terça (18), seguidores de plantão saíram em defesa daquele que consideram um ‘mito’. Assim o fez, o filho Eduardo Bolsonaro com aplausos de cinco deputadas – isso mesmo, mulheres – que pertencem à ala governista. Também não faltaram outros deputados que saíram em defesa do presidente, numa tentativa de inverter os fatos.

Nesse viés, Otoni de Paula (PSC-RJ) disse que “a esquerda e a imprensa extremista” acusaram o presidente de “atacar mulheres”. Porém, entende que Bolsonaro não esboçou nenhum deboche e nenhuma falta de respeito para com a jornalista.

Enquanto isso, Bibo Nunes (PSL-RS) disse que quem entendeu que Bolsonaro atacou Patrícia “está com certa maldade nos seus pensamentos”. É claro que atitudes bizarras como essas e outras que ‘mergulham’ nessa mesma ‘vive’ provocaram reações até mesmo internacionais. As declarações foram repudiadas pela International Women’s Media Foundation, organização com sede nos Estados Unidos que atua para fortalecer o trabalho de jornalistas mulheres no mundo.

Porém, se as mulheres se entrelaçam em busca de compreensão, respeito, empatia e solidariedade, sem barreiras, livre de fronteiras, na área doméstica a realidade sangra. Enquanto ataques verbais – e pior de tudo, oficiais – motivam o surgimento crescente de comunidades virtuais misóginas, mulheres continuam sendo mortas a cada segundo num país. Os algozes? Os ‘companheiros’, os ‘detentores’ de um pobre poder. É o machismo imperando, ‘queimando bruxas’ na fogueira da intolerância.

O poder feminino incomoda sim. E muito. Principalmente, quando esse poder está cunhado em palavras, em ética, em informação. Sem medo, sem garras, sem correntes. E não pensem que esse ‘universo’ está longe daqui. Ele também envolve Guarapuava. Afinal, é muito mais fácil tentar desacreditar uma profissional, um profissional. Difícil mesmo é derrubar a verdade.

Apesar de todas as tentativas contrárias, apesar das palavras falsas jogadas ao vento por ‘presidentes’, apesar da dor que grita vorazmente dentro de quem é atingido, a verdade surge. Impávida. Ela é uma só. Apesar da falta de compostura, de ética, de senso de ridículo que mancha a imagem de um país rico, porém, governado por pessoas pobres, dentro de um poder mais pobre ainda.

Por isso, cada vez mais o feminino tem que ser traduzido em força, em sororidade, em luta. Mas para isso não podemos deixar que a palavra, aquela que é verdadeira, seja assassinada. Então, vamos dando as mãos, olhando em frente de cabeça erguida. Só vamos abaixá-la quando for para retirar as pedras do caminho.

Ps: Homens livres, sábios, intelectualmente seguros, são muito bem acolhidos.

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