Por eliminação

Por eliminação.

 “Os meus princípios, não os tirei dos meus preconceitos, mas da natureza das coisas”. (Montesquieu)

Entendo o desespero daqueles que aclamam o pré-candidato Bolsonaro. Não vêem outra saída. Neste sentido é uma opção que caracteriza a falência múltipla da política por esta não conseguir resolver os muitos problemas de nosso país pela representação ou pelo diálogo civilizado. Por esta razão preferem o monólogo e uma ordem imposta pela força e pelo impacto da disciplina prussiana em tudo. Acreditam ser esta a solução, mas equivocam-se justamente porque acreditam ser este discurso uma realidade.  Desconfio que haja um problema aí. Mal sabem que esta simulação é apenas uma simulação. Não há correspondência alguma com a realidade do século XXI, sendo mais um narcisismo de espelho quebrado de um grupo de pessoas que prefere o soco ao invés do argumento.

Entendo o desespero daqueles que aclamam Lula e o seu reino. Acreditam no retorno de uma vida econômica mais estável em um país de mais oportunidades.  O equívoco está na leitura de que o governo petista protagonizou esta suposta transformação, ou seja, o acesso dos mais pobres a melhores condições de vida por mérito próprio.  Algo próximo disto teria acontecido por conjunturas mais externas que propriamente internas. Quando os ventos internacionais mudaram o Brasil parou porque dependia de circunstâncias. Não houve nada de excepcional, nada que justificasse tamanha liturgia messiânica. Assim, em um possível retorno, faltaria mérito e o agravante de uma possível guerra civil.

Entendo a obsessão dos profissionais liberais que torcem por um nome que pacifique o mercado e que advogue ao encontro dos interesses da exclusividade da iniciativa privada. Querem qualquer poste que expresse a natureza de uma economia sem populismo onde o Estado gradativamente desapareça. Há uma confusão em torno de Alckmin, Meirelles, Huck e Temer. Os defensores desta tese, em sua miopia, imaginam viver em um país sem trabalhadores e seus anseios, sem pobres e seus desejos, sem povo e suas expectativas.  Esquecem-se que toda superestrutura carece de uma boa estrutura.

Os demais pré-candidatos com raras e honrosas exceções [é o caso de Marina Silva] orbitam em um país que não é o Brasil. Ensaiam o ensaio sem a garantia da expressão do que imaginam.  O que pensam ou imaginam não diz respeito à grande maioria. Alguns destes e destas vivem no século XIX e outros e outras vivem no imaginário oriental.  Se eles parecem incompreensíveis, é pela simples razão de que não querem dizer quase nada.

Hoje, gostando ou não, sabe-se ser o judiciário o grande protagonista do país [ para o bem ou para o mal]. Mesmo em uma Babel e com sérios problemas de relativização da lei, parece-me que pautarão os próximos anos de um Brasil pós lava-jato.

Apesar de termos aqui um Estado de advogados e juízes em vez de um Estado de direito, implicando em não termos um ambiente de legitimidade tão necessário para qualquer mudança vital, ao que parece serão os homens e mulheres de preto que estão em melhores condições para fazer uma transição necessária para nosso país e nossas instituições. Reconhecer isto não é nada agradável, mas é o diagnóstico que se apresenta. Assim, um homem de fora da política tem potencialidade para representar este papel. Seu nome é Joaquim Barbosa e traz consigo um perfil que agrada os que hoje aclamam Bolsonaro, Lula e a salada dos que advogam em prol de uma iniciativa mais privada que pública.

Ao que tudo indica, O ex-Ministro do STF representa parte do judiciário, parte da ordem, parte do social e parte do mercado e tem uma boa chance de ter o aval dos justos em um ambiente mais legítimo e mais legal. É muito fácil achar que, de gritaria em gritaria, vamos encontrando o caminho da virtude. O Brasil não é para principiantes e nem para fanáticos de cores diferentes. A necessidade de colocar o país nos trilhos talvez justifique este estado de exceção em curso.

 

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