Professor Ariel, um homem que marcou a história de Guarapuava

Conheci o professor Ariel José Pires em 2008, em um dos corredores da Unicentro nos primeiros dias de aula em história, antes de entrar em jornalismo. Na verdade, as “estórias” do primeiro doutor da Palmeirinha já haviam inspirado a minha formação desde a adolescência. Alguém que com todo o conhecimento que tinha, não escondia o orgulho de suas raízes, principalmente pelo fato de ter nascido em um distrito do interior, com condições precárias para o acesso à escola e filho de uma professora municipal também reconhecida pelo trabalho e a dedicação a seus alunos, a Dona Nena.

O professor Ariel trabalhou com meu avô, o seo Inocêncio, na ferraria da antiga Manasa. Quando conversava com os dois eu tinha a condição de reviver as histórias de um período que orgulhava os moradores daquele local. Meu avô, apelidado carinhosamente por ele de “provisório” pela capacidade que tinha como ferreiro e de se ajustar suas condições profissionais a qualquer entrevero que aparecia no cotidiano de trabalho. Quando tomava chimarrão com meu avô, logo vinham muitos contos do período em que esteve junto com o Ariel que já exercia naquele momento a profissão de ensinar.

Por outro lado, quando encontrava o professor Ariel, eu me degustava com a forma orgulhosa que tinha de suas raízes, de não esconder de onde vinha e dos dias que esteve junto ao meu avô, dos acontecimentos da Palmeirinha e de lembranças que gostava de ouvir. Talvez eu buscasse também explicações para a minha origem, para as semelhanças que compartilhávamos em momentos distintos em um mesmo lugar.

O professor Ariel foi uma inspiração na adolescência, ao demonstrar que o aprendizado começa quando reconhecemos o nosso lugar de fala, quando de alguma forma nos orgulhamos de nossas raízes, de nossas famílias e daquilo que cultivamos no afeto com o outro. Depois, no jornalismo, quando nos encontrávamos vinham as histórias do rádio, os conselhos e críticas que me auxiliaram a pensar e a melhorar profissionalmente. Com certeza, foi alguém marcante não só na minha trajetória, mas na de tantos alunos que tiveram a oportunidade de encontrá-lo por anos semanalmente nas aulas de história da Unicentro.

Essa será sua marca, eternizada na história da universidade, de Guarapuava e da Palmeirinha. Nosso primeiro doutor do distrito se tornou um pesquisador reconhecido nacionalmente, alguém que saiu de lá para assumir uma cadeira na Academia de Letras da cidade e ainda deixar as portas sempre abertas do Instituto Histórico. Ouvia regularmente suas colunas, além de ter tido a oportunidade de encontrá-lo, mesmo que a distancia no lançamento do Congresso Internacional de Americanistas realizado no instituto. Mais uma vez naquele momento, mesmo que eu estivesse em Madrid via Skype, de Guarapuava o professor iniciou a fala dele dizendo: “Olha eu e o Luãn compartilhamos a mesma origem, somos filhos da Palmeirinha”. O umbigo do universo, como ele gostava de chamar o distrito foi sua origem. Agora, com certeza está no céu, olhando com a mesma postura de conciliador que sempre teve, acima de qualquer polarização ou discussão. Que seu legado continue conosco, inspirando tantas pessoas a seguir seus passos, de amizade, calma e serenidade!

 

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