Quando o simples é profundo

Nunca imaginei que casaria entrando de branco numa igreja com marcha nupcial e uma multidão me esperando. E olha como o universo é fiel aos nossos sentimentos! Casei no mato, numa cerimônia muito simples, com apenas uma dezena de pessoas testemunhando o momento e trilhando exatamente o que pedia o meu coração e o do meu companheiro. Quando preparamos um ritual de casamento precisamos contemplar todos os olhares e diversidade dessas famílias que se unem, e o nosso foi assim: na profunda simplicidade.

O que mais me surpreendeu foi a repercussão e a grande quantidade de pessoas que enviaram mensagens celebrando com a gente e expressando grande emoção ao verem as imagens. Fiquei refletindo sobre o motivo para isso e então resolvi escrever.

Que foi diferente de um padrão convencional, é óbvio. Mas é forte pensarmos que num mundo onde tudo se tornou tão extravagante o que toca o coração das pessoas é o básico, o natural. E nesta reflexão de uma experiência puramente pessoal, livre de qualquer julgamento, concluo e sinto que não existe certo ou errado, padrão arbitrário doutrinário que contemple todas as formas de amar, fórmula exata que deve ser seguida e serve para todos, além do que é o coerente com a vivência de cada casal.

No nosso caso, foi a conexão com a natureza, a presença de poucas pessoas que amamos incondicionalmente,  as palavras adequadas para os votos, o cuidado com a escolha da energia de quem conduziria o cerimonial, registraria o momento com as fotos e prepararia o alimento. Mas isso também é normal em qualquer preparação de acordo com a energia da união.

O diferencial talvez seja também a forma como nós mesmos colocamos a nossa frequência nas flores que seriam usadas, nos cristais do altar, nos incensos e óleos essenciais que perfumaram o ambiente além das próprias plantas. Também na escolha da sombra debaixo de qual árvore queríamos dizer o definitivo sim para uma vida compartilhada.

Escolhemos a lua cheia, essa poderosa que em fases rege o movimento das marés, do crescimento das plantas e como não das nossas águas internas físicas e emocionais? A lua cheia do sábado de Aleluia, do ensinamento de Cristo sobre a transmutação e o renascimento, sobre a força da vida divina e eterna.

Nesse contexto, tudo faz a diferença numa conexão genuína com nosso conteúdo interior unido ao outro. Os pés descalços para demonstrar a entrega ao caminho sem nenhuma resistência, os sinais de honra à nossa ancestralidade e aos ausentes, a preparação da fogueira que precisamos lembrar de acender todos os dias na nossa relação transmutando medos, oferecendo perdão, criando novidade e aquecendo a todo momento o afeto e a alegria de cada despertar pela manhã.

Como tudo faz parte e nem sempre é só romantismo e detalhes previstos, também teve inseto, cachorro adotado interferindo na cerimônia e choradeira que não deixava as palavras fluírem como a mente tinha preparado. O nosso desejo foi que tudo refletisse a mais límpida verdade, não é mesmo? (risos) Nos preparamos mas também nos jogamos e seguimos a beleza do fluxo.

Um ritual de união é muito intenso quando o pedido é realmente comunicado ao divino e a benção desce verticalmente com raios de alta luz vibracional. Ninguém, que participa de alguma forma de uma força quântica como essa, sai ileso sem pensar sobre a própria vida, numa cerimônia onde a temporalidade e o individualismo dão lugar à reverência da escolha de se trilhar uma história juntos, interferindo em todas as ligações familiares, sociais, energéticas e espirituais visíveis e invisíveis.

E se eu pudesse dar um conselho para quem está se preparando para este momento é que, além da preparação física em todos os detalhes, priorize fazer um rezo para que o céu atue em cada segundo neste evento completamente único e especial, assim como em cada agora da vida.

Nós rezamos juntos por muitos dias para que os seres de luz abençoassem a nossa união. E eles estavam todos lá! Cortes celestiais em multidão, essa sim. Sentimos e nos divertimos com toda a magia do momento.

E neste partilhar totalmente despretensioso, somente seguindo ao chamado da expansão do puro amor, sinto que podemos voltar ao simples, ao fácil, ao profundo e intenso em cada inspirar. É isso que o divino torce para que aconteça como filhos realizados em nossa própria natureza.

E que sejamos todos felizes!

Beijos.

Jo.

 

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