Quando será que morreu nosso patriotismo?

*Paulino Lorenzo

Quando digo patriotismo não estou falando de lutas ideológicas partidárias para governar o país. A eleição já se foi e vamos, obrigatoriamente, aguardar o que acontece nos próximos quatro anos para verificar se acertamos ou erramos na nossa opção eleitoral.

Quando falo em patriotismo estou me referindo ao verdadeiro sentido da palavra patriota, ou seja, aquele que ama sua terra natal. É aquele patriotismo inspirador do poeta Olavo Bilac que nos disse certa vez: “Ama, com fé e orgulho, a pátria em que nasceste!”.

E o que representa mais este sentimento patriota senão a Bandeira Nacional. Pois bem, no dia 19 de novembro foi comemorado o Dia da Bandeira e sensação que fica é que não estamos nem aí para isto. O dia passou e a maioria das pessoas sequer comentou. Ao ponto de, ao assistir um programa jornalístico às 20:00h, o apresentador lembrou às outras participantes de que era o Dia da Bandeira e foi nítida a expressão de surpresa delas. E mais interessante, ainda, foi o apresentador solicitar que alguém cantasse a primeira frase do Hino à Bandeira e, após um momento constrangedor, somente uma delas arriscou a letra. Talvez, se tivesse sido um feriado nacional onde não tivéssemos que trabalhar poderíamos parar um minuto e vislumbrar a Bandeira em sua plenitude, pois é “contemplando teu vulto sagrado que compreendemos o nosso dever”. Só que nossa Bandeira não é cultuada, não é amada, não é bem tratada e, ao contrário, está sempre relegada ao esquecimento, a não ser durante um mês, a cada quatro anos, durante a Copa do Mundo de Futebol. Neste período, então, ela passa de ser esquecida a ser estrela de uma festa pseudo patriota e passa a ser utilizada, salvo raras exceções, de uma maneira indigna de um Símbolo Nacional. Ela vira canga de praia, camiseta, bandana, chapéu, enfeite de mesa e até toalha de banho; tudo isso é muito bacana e fica legal, confesso, mas, não dignifica nossa Bandeira.

Nós precisamos redescobrir este sentimento de amor à nossa Terra Brasilis. Aquele tipo de amor incondicional que temos pelos nossos filhos ou, neste caso, melhor seria dizer pela nossa mãe, já que a Bandeira representa nossa terra natal.

De todas as palavras que conheço para exprimir o que é patriotismo lembrei-me de uma que, acredito, há muito está esquecida no nosso vocabulário diário. Veio-me à mente um livro escrito em 1900, pelo escritor Afonso de Melo, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, para comemorar os 400 anos do descobrimento do Brasil. O livro era intitulado Por que me Ufano de meu País. E o verbo ufanar é exatamente o termo que melhor demonstra este sentimento patriota, já que significa vangloriar-se, gabar-se, envaidecer-se, etc. É isso o que fazem os Norte Americanos. Eles chegam a demonstrar uma certa soberba quando falam de seu país. No início de um jogo de Futebol Americano, por exemplo, quando cantam o Hino Nacional, a bandeira que ostentam toma conta de todo o campo de jogo, ou seja, 109 por 48 metros de comprimento. Todo e qualquer filme de Hollywood, em algum momento aparece a bandeira deles, isto é Lei por lá. E aqui, nada. A nossa Bandeira não mais “recebe o afeto que se encerra em nosso peito juvenil”. Quase nunca falamos da “Verdura sem par destas matas” ou do “Esplendor do Cruzeiro do Sul”. E é triste esta falta de nacionalismo. Por isso a pergunta: Quando, onde e porque morreu o nosso patriotismo? Não tenho a resposta, mas, quem deixou morrer fomos nós, o povo e o filósofo Friedrich Schiller afirmou certa vez que “Não vale nada um povo que não sabe defender a honra da sua Pátria”.

Entretanto, há esperança e há aqueles que aqui na nossa Guarapuava (Gorpa para os íntimos), mesmo em minoria, externam seu patriotismo. Tenho um prazer enorme quando diariamente, ao voltar para casa depois do trabalho, vejo um enorme Pavilhão Nacional hasteado no alto da Faculdade Guairacá, pois, “sobre a imensa Nação Brasileira, nos momentos de festa ou de dor, paira sempre sagrada bandeira, Pavilhão da justiça e do amor!” Outro local que podemos nos orgulhar de ver a bandeira é no Shopping Cidade dos Lagos onde a mesma pode ser vista tremulando, dia e noite, de quase todo o novo bairro.

Para aqueles que já são entusiastas da nossa bandeira, ou para aqueles que a partir de agora o serão, concito nutrir e fazer renascer o nosso patriotismo, tentando repassá-lo para nossos amigos e entes queridos. Daqui um ano, no próximo dia 19 de novembro, ao meio dia, vá a algum Quartel do Exército, em qualquer lugar do Brasil (no nosso caso o 26º GAC) e participe da Solenidade que se realiza para reverenciar o nosso Símbolo maior. Lá você verá, inclusive, o final digno que as bandeiras inservíveis recebem quando elas são incineradas durante a formatura alusiva.

Vamos sim, nos UFANAR de nosso Brasil.

*Graduado e pós-graduado em Filosofia, livre-pensador, contista e poeta amador, cinéfilo, apreciador de blues e do Pink Floyd.

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