Que tal uma pêssanka na Praça da Ucrânia?

Praça da Ucrânia (Foto: Rui Morel Carneiro)

 

Que eu sou apaixonada pela minha profissão e por tudo o que faço não é segredo para ninguém. Mesmo porque faço questão de expor essa condição cada vez que tenho oportunidade e agora é uma delas. Motivos? Tenho de sobra. A cada dia, com cada entrevistado, aprendo algo novo ou aprofundo o que eu já sabia. Mas como costumo dizer que ainda não temos bola de cristal para dar conta de tudo o que acontece na cidade, e essa célula se movimenta e se re-cria a cada fração de segundo, como se fosse um formigueiro em trabalho ininterrupto, muitas coisas fogem aos olhos.

E foi conversando com representantes da Madeirit, ali no Bairro Boqueirão, que me dei conta que Guarapuava abriga em seu seio uma comunidade ucraniana com mais de 300 famílias. A Igreja de São Nicolau é o centro para onde converge a riqueza dessa cultura e a preservação de muitas tradições.

A herança de um povo sofrido, expulso pela guerra, que veio do Leste europeu “fazer a vida” em outro país, trouxe na bagagem, além da força do trabalho, a religiosidade, a beleza ímpar do artesanato, as danças, os trajes coloridos. Tudo isso guardado no interior de cada descendente numa localidade que se formou em torno de uma fábrica de compensados há cerca de 40 anos.

Até então, quem ganha visibilidade nessa cultura é a Igreja Assunção de Nossa Senhora, sede da paróquia que agrega a Igreja de São Nicolau e outras que preservam o rito católico bizantino.  Em frente à Assunção, há a Praça da Ucrânia e é justamente nesse ponto que quero chegar.

Pêssanka (Foto: Reprodução)

Prada da Ucrânia! Mas o que temos ali que relembre ou que enalteça esse povo que tanto contribui para o desenvolvimento local e do país? O espaço é lindo, eu sei. Arborizado, com jardinagem, quadras para a prática esportiva, o logradouro se tornou o ponto de encontro de crianças, jovens, famílias.

Mas a praça não ficaria ainda mais bonita se ali houvesse uma pêssanka gigante, a estátua de um imigrante ou outro ícone da cultura e que, dessa forma, sim, fizesse jus ao nome? Sei que o local está em frente à igreja ucraniana, mas os descendentes dessa etnia teria um pertencimento muito maior, se sentiriam, com certeza, mais prestigiados. Ouvi esses representantes dizerem que a Praça é Ucrânia, mas não tem nada que remeta à essa denominação. Estamos vivendo a Semana da Comunidade Ucraniana, com o dia 24 instituído no calendário nacional, e isso me chamou ao dever de tornar público esse desejo. A vontade um povo que também é apaixonado pela sua cultura, pela sua história, pelas suas tradições e que, assim como eu, ama tudo o que faz.

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