Quem é essa nova MULHER?

Com exceção dos feriados nacionais ligados à pátria, de maneira geral, quando uma categoria, uma pessoa ou um gênero ganha um dia especial é porque a história negou, ao longo dos tempos, direitos ou reconhecimento para com o(a) homenageado (a). É por isso mesmo que a MULHER, que até meados do Século XX, com raras exceções, era tratada com um mero objeto reprodutor, ganhou seu dia.

E aí me perguntei que poderia eu escrever sobre as mulheres que alguém já não o houvesse feito. Vi a página permanecer em branco e quase desisti de escrever uma coluna homenageando este ser singular e tão complexo. De repente me vem à mente uma frase atribuída ao escritor russo Tolstói que diz: “A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova”. E é nesta novidade que quero “humildemente tentar” descobrir quem é esta nova mulher que está surgindo nestes novos tempos.

A natureza, assim como todas as coisas vivas, está sempre em evolução e somos, como espécie ou gênero, necessariamente, o resultado de tudo que experimentamos, sofremos, gozamos, ganhamos ou perdemos durante nossa evolução. Isto tem início com aquele famoso fóssil, que viveu há 3,2 milhões de anos, onde hoje é a Etiópia e que para ajudar este artigo tratava-se da famosa Lucy, uma mulher, talvez o ser mais antigo que pisou neste planeta.

Isto posto, na minha opinião essa mulher do século XXI traz dentro de si um pouco de cada excepcional mulher que viveu no passado e que fez algo que mudou o pensamento machista vigente de sua época, possibilitando assim os avanços necessários para que homens e mulheres fossem postos em pé de igualdade. Portanto, cada mulher hoje tem dentro si um pouco do gênio inventivo de Marie Curie, que ganhou dois Prêmios Nobel em 1903 e 1911; tem o espírito guerreiro das Onna-Bugeisha, as mulheres samurai do Japão feudal; tem o senso político de Mary Winsor, que foi presa inúmeras vezes no início do século passado defendendo o direito de voto das mulheres; tem o ativismo pacífico da escritora e compositora Bertha Von Suttner; tem o feminismo pioneiro da educadora, escritora e poetisa brasileira do século XIX, a grande Nísia Floresta; tem, também, o espírito de abnegação da enfermeira Florence Nightingale; tem a lógica da matemática Ada Lovelace, que em 1840, criou o primeiro algorítimo para ser processado por uma máquina; tem a estratégia política da Rainha do Egito Cleópatra; tem a fé inabalável de Joana D`Arc quando lutou pela França no século XV; tem a verve da poetisa Grega Safo, uma das primeiras escritoras da história (Século 6 a.C); tem a grandeza de Catarina, imperatriz que consolidou a Rússia como uma das potências da Europa no século XVIII; tem o senso social da escritora Jane Austen autora dos livros Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade e tem, ainda, o empreendedorismo de Madam C. J. Walker, a primeira mulher negra a se tornar milionária nos EUA;

Ou seja, esta nova mulher, quando quer, desponta como um ser reconstruído com o que houve de melhor nestas e inúmeras outras mulheres que mudaram o mundo de alguma forma. Esta nova versão feminina toma, às vezes, a forma de uma Angela Merkel, reconhecida como a mulher mais poderosa do mundo atual ou da suavidade da menina paquistanesa Malala Yousafzai, que foi vítima de um disparo na cabeça simplesmente por pregar o direito das mulheres estudarem naquele país e foi a mais jovem mulher a ganhar um prêmio Nobel, no caso dela o da Paz.

O ideal é que, num futuro bem próximo, a igualdade de gêneros seja tamanha que as comemorações do dia 8 de março percam seu viés político feminista de luta por direitos e passem a contemplar o viés feminino da mulher, porque, por mais empoderada que essa mulher possa vir a ser, ela sempre vai querer (e merecer) que alguém lhe abra a porta do carro, que puxe a cadeira em um restaurante, que lhe envie flores, mesmo sem um motivo, que lhe ponha um casaco sobre os ombros numa noite fria, que apenas a escute.

Encerro aqui com a última estrofe de uma canção de Erasmo Carlos: Mulher! Mulher! Na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um 10. Sou forte, mas não chego aos seus pés.

Que este e todos os demais dias, sejam da MULHER.

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