QUEM SÃO NOSSOS HERÓIS

Com o lançamento do novo filme de Wagner Moura no Festival de Berlim este ano, surgiu, como não poderia deixar de ser, uma nova polêmica para intensificar mais ainda a polaridade ideológica que vivemos atualmente.

Cinéfilo que sou, não vou aqui criticar um filme que sequer assisti. Quero apenas aproveitar o gancho para lançar minhas ilações sobre o que é e quem é herói no Brasil.

Esta nova controvérsia sobre heróis, para mim, fecha um ciclo que começou com o extremamente polêmico (e desnecessário) voto do agora Capitão presidente durante o impeachment da agora ré Senhora Rousseff (ou Estela, ou Wanda, ou Luiza, ou Marina, ou Maria Lúcia nos anos do governo militar). Neste voto foi enaltecida a figura do Coronel Ustra, antigo chefe do DOI-CODI, acusado de tortura. No filme do Moura é enaltecida a figura de Marighella, cultuado como herói por boa parte, se não toda, a esquerda militante neste país.

Nenhum dos dois foi, não são e não serão heróis de coisa nenhuma. É preciso muito mais do que utilizar a máquina governamental para impor autoridade ou pegar em armas no intuito de se implantar um novo sistema de governo para definir alguém como herói (ou talvez precise bem menos que isso).

Cazuza disse certa vez que seus “heróis morreram de overdose”. Respeitando a licença poética do compositor temos que concluir que não eram heróis e sim ídolos, provavelmente com pés de barro.

Militar que fui a vida inteira fico muito à vontade em afirmar que não considero uma ação de extrema bravura de um soldado em um campo batalha um ato heroico; é apenas a demonstração do resultado de um excelente treinamento e vocação para o serviço. Por melhor façamos nosso trabalho não somos heróis quando cumprimos nosso dever. Isto vale para os médicos e, mesmo com toda admiração que temos por eles, vale para os bombeiros também.

Nem mesmo o Tiradentes, nosso “herói” nacional, que tem direito até a feriado, passa pelo meu crivo. Basta estudar um pouco mais à fundo a história e veremos, não um herói de verdade, mas, como se fabricou a ideia de um herói de verdade quando os republicanos necessitaram de um mártir para derrubar a monarquia.

A figura do herói surge na Grécia antiga para definir aqueles que eram fruto da união de deuses e mortais. Hercules ou Aquiles são bons exemplos. Com o passar do tempo o termo foi recebendo várias outras conotações. Todavia, para o ponto que quero chegar, qualquer bom dicionário definiria herói como “um indivíduo que se destaca por um ato de extraordinária coragem, valentia, força de caráter, ou outra qualidade considerada notável”.

Baseado nisto, carecemos de HERÓIS verdadeiros. Nossa última heroína foi a Leilane que, enquanto muitos assistiam atônitos ou simplesmente filmavam com seus celulares, participou ativamente no resgate do motorista envolvido no acidente que vitimou o jornalista Ricardo Boechat. Lamentavelmente em pouco tempo estará esquecida pela maioria de nós assim como já esquecemos o caso do surfista que abandonou uma competição em que participava e salvou um jovem que se afogava; ou do senhor que invadiu um apartamento em chamas e salvou uma criança de um incêndio; que dirá da professora de janaúba que morreu queimada após salvar 25 crianças quando um vigilante ateou fogo à creche. Estes heróis verdadeiros não têm feriado, quando muito uma homenagem póstuma. Entretanto, é de gente assim que o Brasil, e o mundo, tanto precisam.

Não estou aqui dizendo que devemos ignorar e esquecer a lista dos 45 “heróis” Nacionais (para mim uma lista um quanto tanto duvidosa. Se tiverem curiosidade segue o link da lista no final do texto), o que devemos sim é entender e valorizar mais aqueles cidadãos comuns que em momentos decisivos abdicam de sua própria segurança em nome do outro. Esta idolatria exacerbada por pessoas como Marighella, Prestes, Olga Benário ou mesmo o próprio Ustra não passa de um argumento esdrúxulo utilizado para convencer a massa de manobra.

Todo meu respeito às e aos Leilanes!

 

http://senadofederal.tumblr.com/post/66681987378/45-heróis-e-heroínas-da-pátria

 

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