Quiseram me impedir de trabalhar!

Eu que pensei que e tantos e tantos anos de jornalismo já tinha passado por tudo o que é possível, desde as situações ais inusitadas até as mais bizarras. Mas eis que, de repente, um policial militar tenta cercear a minha liberdade de trabalhar. Trabalhei a tarde inteira neste domingo. Foi cobertura de campo na inauguração do Jardim Europeu. Cheguei em casa já à noite e fui avisada de um acidente na Avenida Rubem Siqueira Ribas, bem perto da minha casa no Jordão. Ouvi sirenes e fui atrás. Quando paro fotografar, estacionando o carro atrás da viatura no acostamento, eis que o senhor policial, aos berros, manda eu parar. Sem o mínimo preparo, embora eu tenha me identificado, numa grossura ímpar, disse que eu estava atrapalhando o trânsito e que não interessava quem eu era. Ora, eu estava parada, caminhando pelo acostamento e tentei argumentar que estava ali só fazendo o meu trabalho, mas ele não quis saber e continuou a ser truculento. Disse que a ele não interessava se eu estava trabalhando ou não e que eu não podia estar ali.
A rua não é um local público? E se eu quiser como cidadã parar para ver um acidente então não posso? Respondi que queria ver a marca do carro, as ele não quis ouvir. Ainda e toda a sua falta de educação, mandou que eu entrasse no carro e sumisse dali. Falei que me reportaria aos seus superiores e para uma surpresa ainda maior disse que poderia fazer o que eu quisesse porque ele não tinha medo de ninguém. Finalmente, quando eu já estava saindo ele queria que apresentasse crachá, carteira de jornalista e outros documentos. Para não perder mais o meu tempo entrei no carro e voltei para casa, indignada, é claro. Afinal, essa pessoa está na rua e compõe uma equipe que é responsável pela nossa segurança. Indignada, porque fui castrada naquilo que mais gosto de fazer que é trabalhar, independente do dia, da hora e do local. Indignada, pelo despreparo de profissionais que são lançados ao mercado de trabalho, sem condições psicológicas e, talvez, engolidos por um poder que eles pensam ter e que lhes dá o direito de se utilizar de um abuso da autoridade que jugam ser. Indignada, porque não sei como esse senhor, que por alguma circunstância, se tornou policial, passou o seu dia para estar num pico de estresse como aquele. Quero crer que esteja com algum problema, mas mesmo assim, isso não lhe dá o direito de ser mal educado, truculento, áspero, proferindo palavras e frases que não condizem com a sua “autoridade” policial. Pensei em continuar discutindo com aquele senhor sobre o direito constitucional de ir, permanecer e vir. Pois em nenhum momento o desrespeitei ou muito menos atrapalhei o seu trabalho. Ele estava sentado dentro da viatura com uma planilha nas mãos. Percebi que qualquer coisa que eu dissesse não valeria a pena. Mesmo porque eu tinha uma criança de quatro anos de idade junto comigo. Fui embora, repito: indignada!  Confesso que há muito tempo não passava por uma situação como essa, mas afinal, são os ossos do ofício.
Ah! A matéria saiu, sim. Veja ali na RSN!

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