Se a população soubesse da verdade

Falar em esperança hoje é no mínimo ficar em silêncio. Faz tempo já que estamos com a sensação de não haver mais saídas quando o assunto é restauração da boa e necessária política em nosso País.

Em todos os níveis [ leia-se governantes e governados ] a política como está, em vez de ser um fim em si mesma, atua como auxílio à vida particular. De Presidente a Vereador não se trabalha a serviço do país ou da cidade, mas a serviço dos interesses de indivíduos.

Houve uma mudança de foco extraordinária. Os brasileiros estão movidos por interesses diversos. Movimenta-se não para contribuir para a grandeza do país ou da cidade, ou da organização, mas tão somente para sobreviver neste capitalismo hostil e vulnerável.

É neste cenário e ambiente que nos aproximamos do novo ano e daquilo que ele promete: um ano difícil e um ano eleitoral, ou seja, um ano real/concreto e um ano em que muitos acreditam que as eleições podem resolver muitos problemas existentes hoje. Está aí um grande e terrível equívoco.

Muitos pré-candidatos gastam seu tempo tentando descobrir o que tem a dizer de novo aos eleitores. Na verdade, qualquer coisa nova que se diga sabe-se ser ilusão e demagogia, até porque discursos não vence o sistema.

Muitos eleitores, indecisos e impotentes, mesmo odiando a atual classe política e dizendo não a tudo e a todos, não saberão   dizer sim a propostas e projetos uma vez que propostas e projetos não existirão. Teremos pessoas falando de propostas e projetos, mas não teremos nada de diferente pela simples razão de que ainda não há uma nova hegemonia ou um novo grupo político que defenda um novo sentido para a coisa pública. O clichê mais dos mesmos nunca foi tão absoluto.

Não custa lembrar nosso leitor que o capitalismo não precisa de democracia. A democracia para todos nunca foi interesse do capitalismo.

As coisas podem mudar apenas quando um grande número de pessoas perceberem claramente não haver mais futuro neste projeto em ação. Enquanto isto não acontecer, teremos apenas mormaço, indiferença e silêncio.

Ora, em nome do discurso de austeridade, necessidade e sobrevivência o Governo ataca. Diante disso os cidadãos não poderiam abrir mão do direito de se defender deste ataque, seja ele proveniente do mercado ou do próprio Estado. Óbvio que há razão para se revoltar, mas óbvio que isto não vai acontecer justamente porque os grandes meios de comunicação insistem na tese de que estas eleições resolverão os problemas do país. Este é o maior ópio dos últimos anos. Empurram-nos uma eleição para evitar uma revolta. Se a população soubesse que a ameaça da rebelião garantiria o bom andamento da máquina do Estado e do mercado e que sua possibilidade obrigaria os donos do poder a cumprirem com seus deveres, a guerra seria mais que santa.

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