Sem Filosofia e sem Sociologia!!! Sério isto presidente?

(Imagem: Reprodução)

Tenho evitado, na medida do possível, tratar de assuntos polêmicos em nossa coluna. Desde já solto o alerta spoiler de que vai este texto gerar controvérsia, todavia, esta é a beleza da democracia e da liberdade de expressão que ela propõe. Apesar de que essa liberdade anda meio cerceada estes dias, basta ver o comercial de certo Banco que foi vetado. Sobre isto, talvez, possamos escrever em outro artigo.

Pois bem, mais que nada, estou escrevendo estas linhas em resposta a um leitor assíduo, o Senhor João, cujos cabelos brancos lhe trouxeram, além da idade, a tolerância para que, mesmo discordando de minhas opiniões, envie suas críticas construtivas de maneira cortês e fraterna sendo que, após tomar conhecimento da ideia estapafúrdia do Senhor Messias de cortar os investimentos nas áreas de Humanas, em especial da Filosofia e da Sociologia, enviou-me o seguinte comentário, que tomo a liberdade de transcrever na íntegra: “Professor Lorenzo, estou aguardando ansioso por seu artigo sobre a importância dos cursos de Filosofia e Sociologia, como contraditório à intenção, a meu ver equivocada, de sua extinção nas Universidades. Bom dia! ”

Primeiramente cabe aqui uma explicitação àqueles que costumam ler esta coluna. No texto que escrevi sobe o Duvivier e o Gentili, que foi o texto mais lido de todos os que escrevi até agora, percebi, lendo os comentários daqueles que leem a coluna através do facebook que recebi críticas negativas bem contundentes (que são sempre bem-vindas), porém o que percebi é que fui criticado pelos correligionários da esquerda como se eu fosse de extrema direita e também desaprovado pelos que professam a direita como se esquerdista fosse, simplesmente por ficar indignado com a grosseria com que uma deputada do PT foi tratada. Ledo engano de ambas as partes. Estudioso que sou da Filosofia ainda permaneço com a máxima aristotélica de que a virtude está no centro, deixando muito claro que estar no meio não significa estar em cima do muro. Do centro a visão de tudo é mais clara e posso, portanto, ser o mais imparcial possível. Desta forma é possível ver e aproveitar das vantagens de cada pensamento ideológico.

E mais um adendo: nas eleições passadas votei no Capitão Messias, não porque ele era o meu candidato ideal e perfeito (isto não existe). Votei porque na minha opinião deveríamos impedir mais um mandato nas mãos do Partido dos Trabalhadores (ou qualquer outro partido socialista) e o único com essa possibilidade era o Bolsonaro. Pois bem, o Senhor Messias assumiu e tem comandado este país de uma maneira muito amadora e tem a maioria de seus obstáculos políticos para aprovação de seus planos causados, desnecessariamente, por ele mesmo ou pelo seu entorno. Isto era previsível e não estou nem um pouco surpreso, todavia, prefiro assim do que como estava anteriormente. Quem sabe se com as pancadas o presidente aprenda e deixe um pouco seu lado pitoresco e vista a “indumentária” necessária para o posto que ocupa.

Daí, finalmente falando sobre o tema do artigo, é óbvio que este presidente, ou qualquer outro que assumisse, teria que servir à nação doses homéricas de remédios amargos para começar a sanar o Brasil. Só que, dentre uma ou outra medida radical adotada por nosso governo, eles anunciam que pretendem deixar de investir no ensino de Filosofia e de Sociologia porque, segundo eles, não trazem retorno financeiro imediato e, segundo eles, o Japão fez a mesma coisa. Em parte é verdade porque raramente, ou quase nunca, alguém fica rico como filósofo ou sociólogo. Todavia, concordo com Luiz Felipe Pondé, na minha opinião um filósofo bem centrado e imparcial, que disse “Agora, uma vez que você tem universidade pública e as universidades públicas ainda são as principais a investir em cursos que não dão retorno, me parece, dado o fato que o país é pobre em letras, em reflexão, em ideias, está errado se comparar com o Japão, está errado “desinvestir” cursos de humanas porque antes de tudo eles não dão lucro em geral. É função do estado oferecer uma educação e uma formação para pessoas em cursos que não dão lucro imediatamente”.

Na verdade, esta é uma medida pragmática que o governo quer tomar para tentar (o que será em vão) diminuir a influência do pensamento marxista que impera nas áreas das Ciências Humanas. Este tipo de ação não é novidade quando se quer evitar a proliferação dos ideais marxistas e foi posto em prática em vários lugares do mundo e em diferentes épocas e, também, no Governo Militar do Brasil. Apesar disto ser apenas um meio para se chegar a um fim desejado, este tipo de ação me parece muito intransigente. É como se nós tivéssemos uma única vaquinha e ela estivesse com uma infestação de carrapatos. Então para resolver o problema simplesmente paramos de dar comida a ela. Só que então a vaca morre e os carrapatos vão se alimentar em outro lugar.(Atenção! Isto é apenas uma alegoria para apresentar um ponto de vista. NÃO estou comparando socialistas, comunistas ou qualquer pessoa com carrapatos!) Quem frequenta o ambiente acadêmico sabe que esta influência marxista é um fato e não se pode negar. Não sei se existem pesquisas estatísticas sobre o assunto, mas, é muito difícil encontrar sociólogos, historiadores ou geógrafos que não tenham uma tendência mais voltada ao socialismo.

Não posso e não devo tecer comentários sobre estes profissionais porque, apesar de haver cursado quase três anos de História, não sou formado em nenhuma destas matérias. A Filosofia, por outro lado, é a ferramenta básica de todo e qualquer ser humano. Toda ciência, seja exata, humana ou biológica foi, antes de ser ciência, um pensamento filosófico e este raciocínio, como o próprio substantivo nos diz, vem do ato de questionar, refletir, criticar, argumentar, analisar premissas válidas e chegar a uma conclusão lógica e irrefutável. Mesmo porque, segundo Platão, “uma vida não questionada não merece ser vivida”. E ao tirar de nós esta possibilidade de enriquecimento intelectual o Senhor Presidente tenta nos afastar do saber, digo, do verdadeiro saber. Aquele que não é parcial e que é necessário para que, a despeito de como e de que forma os professores nos transmitam seus conhecimentos, tenhamos a lógica e a ética de formularmos, nós mesmos, nosso ponto de vista sobre todo e qualquer assunto.

Portanto, Senhor Messias, não é por aí!

“A filosofia é a que nos distingue dos selvagens e bárbaros; as nações são tanto mais civilizadas e cultas quanto melhor filosofam seus homens.

René Descartes

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