Somos todos Gorpa City*

Por Paulino Lorenzo

*Forma intimista de se referir à Cidade de Guarapuava.

Para Démas…

Desde já deixo claro que não nasci em Guarapuava e, portanto, sinto-me muito à vontade de falar sobre a cidade e que em cada elogio meu não estarei legislando em causa própria. Escrevo este artigo aproveitando o aniversário da cidade e, também, o tema de meu último texto aqui publicado que tratava, de certa maneira, do amor que devemos nutrir e demonstrar pela terra em que nascemos ou, no meu caso, pela terra que escolhi para considerar minha.

Nem sempre foi assim. Morei aqui por cinco anos na década de oitenta e devo confessar que quando minha profissão me levou para outros lugares não levei uma boa impressão da cidade que então deixei. Fiquei fora exatos 25 anos e, qual não foi minha surpresa quando em 2015, ano que retornei a viver aqui, por insistência de minha esposa guarapuavana que queria voltar para casa, deparei-me com esta nova e agradável cidade. No meu tempo fora vivi e conheci todas as regiões do brasil, as capitais, cidades grandes e também minúsculas, então, tenho um certo cabedal de conhecimento para explicitar o quão bom é morar aqui no terceiro planalto.

É quase intrínseco de nós humanos acharmos que a grama do vizinho é sempre mais verde do que a nossa e, da mesma forma que não percebemos as mudanças nas pessoas que estão ao nosso lado o tempo todo, quem morou aqui a vida toda pode não ter percebido como esta cidade floresceu. E ninguém pode dizer que esta cidade não é florida; dos canteiros coloridos das principais avenidas e praças ao deslumbrante florescer das cerejeiras do lago, mesmo nos mais rigorosos invernos, a beleza e o cuidado com a cidade são inegáveis.

É claro que Gorpa City não é perfeita. Digo isto antes daqueles que insistem em procurar os pontos negativos, que existem aqui e em todas as cidades mundo. Não! Vamos falar do que é bom, que para criticar negativamente já temos muita gente de plantão. Uso, pois, a estatística para ratificar os pontos positivos de se viver aqui. Pois bem, em 2015 a Revista IstoÉ em conjunto com o Instituto Austin Rating apresentou um estudo que nos coloca como o melhor município do Estado do Paraná em qualidade de vida. Ainda de acordo com o mesmo estudo, dentre as 5.535 cidades do Brasil ocupamos a 16º posição em Padrão de Vida e a 25ª em Qualidade de Vida. Convenhamos, nós estamos muito bem.

A cidade tem, como já disse, invernos rigorosos, entretanto, na maioria dos dias gélidos somos brindados com um céu de azul puríssimo que deixa ainda bela a silhueta das enormes araucárias, a maioria delas agrupada no parque que recebe seu nome e tantas outras espalhadas no horizonte da cidade. Por falar em Parque das Araucárias, o espaço que já era agradabilíssimo, ficou ainda melhor com o Bosque Europeu, inaugurado em março deste ano. E o que dizer, então, da vista de quem desce para o Parque do Jordão? Lá é um local ideal de ecoturismo, caminhadas, pesca, motocross e para se viver também, que o diga a Editora Chefe da Rede Sul de Notícias. Tudo que temos de bom em Guarapuava e região já foi e está sendo retratado, também, pelo escritor e antigo prefeito da cidade, o Senhor Nivaldo Kruger, outro que adotou Guarapuava como sua e que do alto de seus 89 anos está lançando mais um livro tratando sobre nós.

Nota-se nitidamente que de uns tempos para cá o guarapuavano tem adotado uma vida mais saudável e isto é fácil de perceber quando vemos a Lagoa das Lágrimas e o Parque do Lago repletos de pessoas praticando atividades físicas a partir do entardecer; sem falar da quantidade de ciclistas esportivos que percorrem toda a cidade e, com a chegada do novo Bairro Planejado, a Cidade dos Lagos se tornou um local de corredores e “baikeiros” que utilizam as vias extremamente largas para a prática desportiva. O local é tão apropriado que neste ano foram realizadas três competições de corrida nas ruas e avenidas do bairro e, aproveitando os lagos existentes, a informação é que possivelmente haverá no ano que vem uma prova de triatlo.

E a cidade cresce e se desenvolve. A chegada de dois cursos de medicina vai transformá-la ainda mais e, mesmo que você diga que não conseguirá frequentar um destes cursos, o crescimento econômico oriundo deles afetará, em maior ou menor grau, a todos nós. E há os que dizem que não há diversão em Guarapuava, ao que retruco de imediato lembrando das inúmeras opções surgidas nos últimos anos. Temos museus, parques, trilhas, cachoeiras e igrejas. Fora estes programas gratuitos, temos toda uma gama bares, novos restaurantes, o novíssimo Shopping Center, exposições agropecuárias e de flores, shows, clubes, boliche, Sinuca, etc.

Mas, o maior valor de uma terra é seu povo e o guarapuavano, tradicionalista que é, não esquece suas origens. Tem um idioma próprio e peculiar que é “loko de bão”, que inicia uma resposta com o tradicional “pois óia” e se não sabe explicar retruca: “que que eu vou te dizer”, que se não está no trabalho “tá na casa” e se nota que alguém quer algo seu logo exclama: “tira os zóio”. Este falar traz graça e intimidade a qualquer conversa. Nosso cidadão, mesmo torcendo para um time grande da primeira divisão do Brasileirão, tem todo um carinho com o Batel velho de guerra, time que era a paixão do finado Seu Renatinho, figura icônica, vendedor de loterias que também adotou Guarapuava como sua. E temos “gorpenses” que ganharam o mundo: atletas, políticos, artistas, fotógrafos, modelos e até um vencedor do BBB. E a nossa cultura hoje é o resultado da miscelânea de povos e etnias que, por motivos diversos, vieram parar aqui. Juntando-se aos indígenas já existentes chegaram portugueses, poloneses, alemães, ucranianos, italianos, africanos e suábios. Estes últimos estabelecidos nas cinco colônias do distrito de Entre Rios são, também, responsáveis pela qualidade e o padrão de vida que temos na região.

Por fim, há de se reconhecer que viver e trabalhar aqui é muito bom. Gorpa é uma cidade vibrante, mas, com aquele ritmo interiorano em que você consegue ver, ao mesmo tempo, um novíssimo carro de luxo subindo a Manoel Ribas cruzar por um eventual cavaleiro todo pilchado, tranquilamente passeando com seu cavalo. Aqui temos a mescla perfeita do moderno e do tradicional, temos os torneios de truco, as rodas de chimarrão, as empresas que se estabelecem, o Sistema Educacional que se aprimora e um povo que insiste em ser gentil e hospitaleiro.

Sim! SOMOS TODOS GUARAPUAVA!

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