SOS Santa Tereza!

Desde criança me vi entrando e saindo do Hospital Santa Tereza. O “vô” Frederico, como costumava chamar o idealizador e dono do hospital, o médico Frederico Keche Virmond, era o nosso médico da família. Aquele que ia nas casas, que sabia tudo a respeito de todos e que, na maioria das vezes, bastava uma passada de mão na cabeça, para afugentar qualquer dor. Tempos depois, foi com ele que fiz as primeiras consultas da gravidez do meu primeiro filho, Diego. E foi na Maternidade Dona Maria Augusta – que homenageia a mãe do Dr. Frederico – que tive dois dos meus três filhos. E foi nesse hospital também que recebi a pior notícia da minha vida: a morte do meu caçula, Juan.

Escrevo isso para mostrar a proximidade da minha família com o hospital, assim como acredito acontecer com milhares de pessoas em Guarapuava e região, num universo de 500 mil habitantes.

Que o Santa Tereza, ou hoje, Instituto Virmond, nome trocado por questões jurídicas, há anos vem sofrendo o mal causado pela falta de recursos, assim como acontece com quase a totalidade dos hospitais brasileiros, é fato. Tanto é que passou de uma administração privada para se tornar filantrópico, com injeção de recursos federais e estaduais; se tornou associação com diretoria constituída no lugar de uma provedoria.

Entretanto, no decorrer dos anos, vimos a agora entidade sucumbir aos poucos, fazendo eco às gemidas dos seus pacientes. Vimos e noticiamos os próprios funcionários tomarem a frente e saírem às ruas numa das primeiras insurgências a um possível fechamento. Vimos a  via sacra ensandecida de seus gestores em Brasília, em Curitiba, na Prefeitura e na Câmara. Mas, infelizmente, o Santa Tereza agoniza e continua entubado, combalindo perante uma região dependente, porém, inerte.

Até agora não presenciamos nenhuma mobilização macro em busca de uma saída. Um problema de saúde, no caso, financeira, se não tratada, só piora e pode levar à morte. E é isso que está acontecendo com o Santa Tereza, apesar dos gritos de socorro que, agora com mais força, ecoam pelos ares.

E o que será dos cerca de 500 mil habitantes que dependem de atendimento médico, de procedimentos cirúrgicos, de outros atendimentos e que não encontrarão mais leitos em Guarapuava? O que será do Hospital São Vicente, que também já não aguenta mais a demanda e que terá que arcar sozinho com a região? O que será de Guarapuava, que hoje se consolida como polo de saúde, com cursos de medicina, com Hospital regional para urgência e emergência, mas sem leitos de hospital? O que será dos funcionários, que há anos e anos tiram o seu sustento do Santa Tereza? O que será dos acadêmicos e dos cursos técnicos da área da saúde com espaço restrito para estágios? O que será dos pacientes? Será que é possível apresentar Projeto de Lei proibindo a incidência de doenças? Será que marmelada na hora da morte pode não matar? SOS para o Santa Tereza!

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