Tá todo mundo louco!

Tá todo mundo louco. Até então nunca tinha presenciado tanta coisa maluca neste Brasil e se o “gigante que dormia em berço esplêndido” resolveu acordar, anda por aí muito doidão.

Os fatos que me levam a essa conclusão são simples. Nos últimos dias instalou-se uma “torre de Babel” onde ninguém se entende mais. Vamos pegar fatos bem recentes. O episódio que envolve a entrevista do ex-presidente Lula ao Jornal Folha de São Paulo escancara a fissura que existe dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). Um ministro, Ricardo Lewandowski diz que pode; vem outro ministro, o Luiz Fux e diz que não pode; aí Lewandowski volta ao dizer que pode. Sem saber a quem obedecer o diretor da Polícia Federal recorre ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann que também não resposta e corre ao presidente do STF, Toffoli que diz que não pode.

Se for pegar os números revelados por pesquisas, então, dá vontade bater a cabeça na parede. Nas últimas pesquisas, os números revelaram o crescimento do presidenciável Fernando Haddad, com as benções de Lula. Logo em seguida, o Ibope divulga outra pesquisa mostrando a queda de Haddad e o crescimento de 10 pontos percentuais de Bolsonaro, do dia pra noite. E em meio as manifestações de mulheres, o movimento #EleNão! segundo o Ibope, é justamente o público feminino que proporciona esse crescimento a Bolsonaro. De repente, outra pesquisa fresquinha divulgada pela Record, cujo dono é o “bolsonarista” Edir Macedo, o bispo, mostra números onde Bolsonaro e Haddad estão empatados tecnicamente: 29% e 24%, respectivamente.

E o que dizer da queda de braço entre Bolsonaro e o seu vice Hamilton Mourão no caso do 13º salário? Se o majoritário criticou a fala do secundário criticando o 13º, nesta semana o que falou mais alto foi a hierarquia militar. O general desconsiderou as ordens do capitão, ambos da reserva, e voltou a tecer críticas ao 13º. É o embalo do manda e desmanda. É o homem sendo o lobo voraz do próprio homem. Ahn? Eu ouvi dizer um homossexual vai votar no seu próprio opressor? É mesmo pra acabá!

Falar em ataques, em proliferação do veneno do ódio que toma conta das redes sociais, onde amigos engolem amigos – e aí questiono esse conceito de amizade -, por causa da intolerância política, é admitir que as máscaras estão caindo, que o preconceito, a intolerância sempre existiu, mas na invisibilidade da hipocrisia.

As manifestações nas redes sociais, instrumento que faz correr a campanha política aos quatro cantos do mundo, somente revelam quem é quem. Não se pode mascarar tudo por muito tempo.

E fechar o mínimo de tudo o que está acontecendo e que  não dá para dimensionar em palavras uma matéria veiculada pelo site Bem Paraná, expõe   o que secretário-geral da ONU, António Guterres,  alertou  no começo deste ano sobre a “normalização do ódio” e a crescente influência desses grupos extremistas e de suas mensagens em movimentos e partidos políticos tradicionais. O Paraná destaca-se como o quarto estado com maior presença de neonazistas no Brasil, segundo o trabalho da pesquisadora Adriana Dias, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela mapeia grupos neonazistas que atuam na internet e também no mundo não virtual há 16 anos. Segundo ela, a região Sul concentra aproximadamente 105 mil neonazistas, sendo que cerca de 18 mil estariam presentes no Paraná.

Será que dá para entender por que esse instinto animalesco está se revelando e colocando uns contra os outros? Não seria mais fácil respeitar as diferenças, deixar que cada um cometa a sua loucura sem que haja agressão, sem manipulação (ah! doce utopia)? Não é bem melhor deixar que uma loucura pacífica, sem ser anestesiada, tome conta de todos prá que possamos ser “maluco beleza”, como já disse o bem e velho Raul [Seixas]?

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