Terrivelmente Evangélico?!?!

O meu presidente, digo meu porque votei nele, consegue sempre arrumar munição para que seus antagonistas o combatam ferrenhamente. Em outro artigo, já escrevi que o senhor Messias tem que parar de gerar polêmicas desnecessárias com seus comentários passionais. Ok! Muitos vão dizer que ele é assim mesmo, que foi eleito por ser assim e que não vai mudar. Mas, ele deveria, sim, ajustar seu modo de ser e agir a fim de melhorar sua governabilidade, ainda mais que ele já vislumbra uma possível reeleição em 2022.

Desta vez o motivo do meu texto foi a declaração do Capitão, hoje mesmo dia 10 de julho, afirmando que uma de suas duas indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) será de alguém “terrivelmente evangélico”.

Ora senão, vejamos: Os requisitos constitucionais para ser ministro do STF são cinco: ser brasileiro nato; ter idade entre trinta e cinco e setenta e cinco anos; estar no gozo dos direitos políticos; possuir notável saber jurídico e ter reputação ilibada. Entre os critérios não são considerados o sexo, orientação sexual, cor da pele ou a opção religiosa. Portanto, caro Capitão, não podemos começar a indicação de um nome para tão importante cargo priorizando a fé que este cidadão professa. Não nos interessa, e mais, isto é até prejudicial, quando alguém é “terrivelmente” qualquer coisa. O problema não é contra os evangélicos em particular; eu escreveria este texto mesmo que ele tivesse dito que escolheria um ministro terrivelmente católico, ou espírita, ou budista, ou mulçumano ou qualquer outra religião. O Brasil, de acordo com sua constituição, é um Estado Laico e mais, no seu artigo 19 preconiza que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvenciona-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público. Por isso mesmo nem entendo existir no Congresso Nacional algo como uma Bancada Evangélica ou Espírita ou mesmo fazer um culto comemorativo ao aniversário de alguma Igreja em particular.

Isto posto, meu presidente, vamos nos ater aos cinco critérios estipulados para escolher os novos ministros do STF. Se por acaso, depois da seleção e da sabatina do Senado, o(a) ministro(a) escolhido(a) for evangélico, que isto seja apenas um detalhe e não uma condição. Que a religiosidade não seja um ponto de decisão, nem contra nem a favor da escolha a ser feita.

Comentários