Um Natal sem culpa

*Lorenze Paz

As festas de final de ano vão chegando e junto com elas vem também os acordos sociais e tão conhecidos como “compromissos familiares”. Para algumas pessoas o Natal é o momento mais esperado do ano, para outras o menos e para muitas, apenas a véspera do Ano Novo – onde aí sim temos a liberdade de nos “livrar” dos compromissos familiares – e fazer o que realmente queremos com aqueles que chamamos de “família do coração”, as amigas e amigos que encontramos no caminhar da vida.

E o que eu venho me questionando é por qual razão continuamos sustentando alguns “compromissos familiares” se eles não nos fazem mais sentido, ou seja, se já não ressoam mais em meu coração. Por que, muitas vezes, continuo  alimentando os acordos sociais de “ter que fazer algo caso contrário as pessoas vão ficar chateadas comigo”.

Um cenário onde eu sou vítima de mim mesma, vítima por sentir culpa pelo reagir de uma outra pessoa, que muitas vezes pode ser uma reação diferente da qual eu achei que seria.

Cheguei a toda essa reflexão uns anos atrás, quando me vi criticando a mim mesma “você tá louca, é? vai passar o Natal longe da sua família? Pois e se seus avós morrerem ano que vem? Você vai suportar tamanha culpa?”

Pelo amor da Deusa, de onde é que vem tanta culpa por, pura e simplesmente, querer viver algo para além dos acordos sociais e familiares firmados silenciosamente em algum momento que eu nem me lembro qual exatamente, muito menos se eu tinha a consciência e capacidade de falar sim ou não por mim mesma.

A parte legal é que agora eu tenho sim a possibilidade de me autor responsabilizar pelas minhas decisões. Foi então que eu decidi fazer daquele Natal de 2016, o meu espaço sagrado. Me permitir olhar pra tantas culpas que me ocupavam, principalmente relacionadas aos papéis sociais de ser filha, ser companheira, ser amiga. Quantas condições eu coloquei para me sentir digna de respeitar o meu espaço sagrado sem culpa nem desculpa.

Hoje, mais madura, reconheço que respeitar o meu espaço sagrado tem pouco a ver com passar o natal com a família ou não, mas sim com saber escutar o meu coração.

E sim, em algum momento eu precisei passar um natal longe para descobrir realmente o que meu coração dizia, pois parecia que o contato com familiares, em algum lugar, me estimulava a sentir ainda mais culpa por, no fundo, muitas vezes não querer estar em família.

Agora, com alegria e nesse período pré-natal, te convido a olhar para o seu espaço sagrado e tudo aquilo que você acaba inconscientemente deixando entrar nele pelo medo, na maioria das vezes, da solidão. É muito comum que nós mesmas violentemos o nosso espaço sagrado por sentir medo do abandono, da rejeição e por fim, da solidão.

E agora, escrevendo de dentro desse meu espaço sagrado eu te digo: quando passamos a escutar o nosso coração e respeitar o nosso espaço sagrado, a solidão se transforma em solitude, pois é uma solidão que transborda plenitude.

*Lorenze Paz, além de pisciana com lua e ascendente em câncer, também é filha de Oxum. Sem dúvidas, reconheceu que sua missão é ir profundo e desbravar as águas das emoções e sentimentos humanos. Hoje é escritora e terapeuta. Desenvolveu a Jornada de Reconexão com o Ser, uma jornada de reconexão com a própria essência através da expansão da consciência emocional e corporal.

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