Uma queda para o alto!

Tentar entender os desígnios de Deus, os mistérios do Universo e da vida, dos quais o indecifrável é a morte, é mergulhar em teorias filosóficas, muitas das quais não cabem ao que tentamos interpretar. Desde esse último domingo (21) quando acordamos com mais uma tragédia envolvendo uma pessoa pública, líder político, mas acima de tudo, alguém com quem convivemos muito de perto por longos anos, a pergunta que se tornou comum em qualquer contato com pessoas foi: “O que está acontecendo com a nossa Guarapuava?”. Esta pergunta remete aos três meses das mortes de Tatiane Spitzner e do ex-deputado Bernardo Ribas Carli, justamente, neste dia 22 de outubro, dia do sepultamento do ex-deputado Cezar Silvestri. A resposta? Também não sei, mas entendo que cada uma dessas pessoas cumpriram o ciclo na terra e que suas energias precisavam de outros espaços. Falam sobre a coincidência, já que todos tiveram suas vidas ceifadas após quedas. Tatiane, atirada do quarto andar do edifício onde morava; Bernardo, sofreu queda de avião e Cezar caiu do 22º andar do prédio onde vivia temporariamente em Curitiba.

Mas quero agora me deter ao Cesar, cara bonachão, de uma simpatia ímpar, aquelas pessoas a quem, quando você mais precisa, fica devendo a gratidão. Daquelas que acolhe como um abraço amigo, fraternal. Bom papo. Sempre que nos encontrávamos falávamos sobre o assunto que ele mais gostava tratar: política, com seus desdobramentos e conjecturas.

Uma pessoa do bem. Homem de palavra, do tipo antigo que “empenhava o fio do bigode” – aliás, uma das suas marcas registradas. O que ele dizia, estava dito e era cumprido. Não precisava falar de novo.

Cezar sempre foi considerado um político honesto, comprometido com as causas sociais, principalmente, com as questões da saúde. O Hospital São Vicente de Paulo era a menina dos seus olhos. Mas seu olhar também era voltado à educação, e se Guarapuava possui um campus da Universidade Tecnológica Federal (UTFPR), foi pelo seu empenho. Lembro-me perfeitamente da sua angústia numa audiência na Câmara de Vereadores, quando praticamente implorou a união de forças para que a cidade não perdesse esse avanço. E a sua humildade proporcionou essa obra quando entrou no gabinete da Prefeitura e sacramentou o apoio do então prefeito Fernando Carli. Mas essa é apenas uma delas. Não foi à toa que chegou a ser considerado o “Deputado da Educação”.

Mas são feitos como esses que imortalizam o homem público. E para Cezar, a política era o seu antídoto a qualquer doença. Durante uma das campanhas eleitorais, venceu problemas cardíacos graves e foi assim durante a sua trajetória nesta vida. É claro, será difícil ver a Cristina sem o Cezar, principalmente agora, num momento em alta com a sua reeleição, como a candidata mais votada de Guarapuava e do PPS no Paraná. Quem convivia com eles, tinha a impressão de que eram dois em um.

Mas Cezar deixa um legado familiar com os filhos Cesar Filho e Teka. Com os netos Beatriz, Augusto, Henrique e Maria Augusta, com quem gostava de participar de tropeadas, correr livre pela fazenda.

Mas somos humanos, frágeis como um cristal, sensíveis. E há coisas que nos fazem derrubar as armas. A mente se sobrepõe ao sofrimento e só quer uma coisa: acabar com o monstro que devora a alma. É que o crepúsculo chegou e, não importa como, o Sol, que até então reinava dourado, imponente, fica apático, empalidece e se vai dando ênfase ao mistério da vida, nos deixando pasmos, sem respostas. Com Cezar foi assim. E ele quis uma queda para chegar ao alto.

Comentários

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com