Vingadores – Guerra Infinita: quando o vilão protagoniza o filme de heróis

*Daniel Zierhut

Entre as 14.000.064 possibilidades de roteiro (segundo o Dr Estranho), os Irmãos Russo resolveram levar aos cinemas um filme dos Vingadores protagonizado pelo vilão Thanos. Com toda certeza uma das melhores decisões do estúdio nesses 10 anos. Sempre criticada por vilões rasos e esquecíveis, a Marvel acerta ao escalar o Titã Louco e entregar o personagem nas mãos de Josh Brolin, que nos apresenta uma atuação cheia de detalhes.

Com tantos personagens, as escolhas de quem destacar no roteiro foram acertadas para se contar a história que se pretendia. Cada ação, por mais simples que seja, contribui para construir o enredo principal. Com praticamente todos os personagens já apresentados no MCU, os roteiristas não precisam gastar muito tempo com isso. Há pequenas explicações em duas linhas que dão um panorama básico sobre cada um. O fato de haver vários encontros inéditos contribui para essa apresentação. Constantemente os personagens se apresentam para os outros, e isso acaba servindo para ajudar o público a entender a história, caso não tenha visto algum dos 18 filmes da franquia. Claro que quem acompanhou todos os filmes se deleita com todas as referências de filmes anteriores. A Marvel segue corrigindo algumas pontas soltas de seu universo. Há uma rápida explicação sobre o reator no peito do Stark e outra sobre o futuro de um certo vilão.

Thanos é um vilão que acredita que o que está fazendo será o melhor para a humanidade. Isso leva o espectador em alguns momentos a se envolver no discurso dele, que só quer cumprir com seu dever e descansar em paz. A personalidade construída para o titã dá a ele um carisma que faz você amar e odiar, bem próximo do que se viu em dois outros acertos da Marvel, Loki e Kilmonger. Com isso, Thanos entra para o seleto grupo de vilões que deram certo.

Tendo o vilão como protagonista, cabe aos heróis serem coadjuvantes, mas alguns tem jornadas interessantes. Thor em sua busca por uma nova arma poderosa, mesmo devastado pelos acontecimentos iniciais. Dr Estranho carregando o peso de decidir sobre o futuro graças a sua joia do tempo. O personagem também ganha destaque mostrando várias facetas dos seus superpoderes, entregando cenas muito legais. A grande surpresa é a jornada da Gamora, que ganha camadas e se desenvolve de uma maneira muito envolvente.

Aos outros personagens, cabe o papel de figurante de luxo. Isso vai desde os integrantes da Ordem Negra, com um pouco mais de destaque para Fauce de Ébano que é melhor trabalhado. Capitão América e Homem de Ferro figuram como os líderes que são, mas ficam um pouco apagados, sem grandes atos. Homem-Aranha, Feiticeira Escarlate, Drax, Mantis e Groot tem momentos inspirados, seja por humor ou drama. Bruce Banner tem uma jornada inesperada e bem interessante.

Um ótimo trabalho de direção dos Irmãos Russo e um bom roteiro entregam um filme que surpreende em vários momentos, mas essas surpresas só são interessantes devido ao grande esquema montado para que não se vazasse muita coisa sobre o filme. Seria muito bom se outros filmes conseguissem essa proeza e chegassem com esse grau de surpresa ao cinema.

O filme dos Vingadores – mais dramático até aqui – nos faz sair devastados no final da sessão. A dor de alguns personagens e o final seco nos levam a reflexão. O filme tem um final, mas deixa espaço para que se comecem as teorias sobre o futuro dos heróis.

*Daniel Zierhut é publicitário.

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