Ao contrário do governo federal, PR investe na pesquisa como vetor do desenvolvimento

Enquanto a União corta, Ratinho Júnior libera R$ 13,9 milhões para formação de pesquisadores

 

O governador Carlos Massa Ratinho Júnior libera recursos para bolsas de pesquisa e extensão (Foto: Rodrigo Félix Leal/ANPr)

No mesmo dia em que o governo federal anunciou o corte de mais 2,7 mil bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes), nessa terça (4), o governador Carlos Massa Ratinho Júnior, liberou R$ 13,9 milhões nessa área para fomentar a formação de pesquisadores. O governador entende que a pesquisa científica contribui diretamente para o desenvolvimento econômico e social do Estado.

“A Academia precisa ajudar o setor produtivo, melhorar a qualidade de vida das pessoas e preparar a nova geração para o futuro”.

Esta é a segunda vez que o governador se contrapõe a medidas polêmicas do Governo Bolsonaro no ensino superior. O primeiro foi o corte linear de 30% sobre todas as instituições. No Paraná, o governador leva em consideração as características de cada instituição, reorganizando procedimentos e permitindo que haja mais economia a partir de um sistema colaborativo entre as instituições.

Em relação ao valor liberado pelo governador nesta semana, o investimento permitirá que estudantes e pesquisadores das universidades e institutos de pesquisa do Paraná tenham acesso a 2,9 mil bolsas de pesquisa e extensão.

Os projetos contemplados são os Programas de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibit), Institucional de Apoio à Inclusão Social, Pesquisa e Extensão Universitária (Pibis) e Institucional de Bolsas de Extensão Universitária (Pibex).

Segundo o governador, os recursos das bolsas são importantes diante do cenário nacional de contingenciamento para mostrar que o Paraná continua apostando na formação dos seus cidadãos.

A discussão nacional é importante, é preciso identificar onde há exagero, mas a ideia é construir pontes, o radicalismo de ambas as partes não é sadio. O mundo já não discute mais isso. É o que temos sugerido aos atores do sistema educacional brasileiro, das autoridades aos que estão na linha de frente. O Paraná dá exemplo de boas soluções na educação

O superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, destacou que a pesquisa na universidade pública começa na iniciação científica. “É o que permite ao pesquisador construir redes, estruturas de formação na área de pesquisa, garante ampliação da massa crítica e ao mesmo tempo a permanência pela formação de novos pesquisadores”.

Bona também ressaltou que as sete universidades públicas estaduais vivem momento de sinergia em favor das ações do Estado, com a construção de uma nova proposta de lei que integre ainda mais as estruturas.

“Um exemplo disso é o comprometimento das universidades, inclusive do sistema federal, com a dedicação dos nossos profissionais e nossa inteligência na área de infraestrutura de rodovias e licitações para o banco de projetos do governo estadual. Construir esse banco é um projeto difícil e temos condição de fazer esse trabalho juntos”.

Ramiro Wahraftig (Foto: Reprodução)

Ramiro Wahrhaftig, presidente da Fundação Araucária, disse que o intuito final das bolsas de pesquisa é que esse capital intelectual volte ao Estado com produtos e processos de alto valor agregado.

“Nós temos condições de fomentar o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação. É uma possibilidade excepcional que o Paraná tem de criar riqueza, emprego e renda por meio de startups e da inovação sistêmica ou aberta”.

Segundo Wahrhaftig, o Paraná tem uma das melhores estruturas de ensino superior do País, com chance de se equiparar a nações mais desenvolvidas.

“Já somos o segundo Estado em densidade de doutores por habitante, atrás apenas do Rio Grande do Sul. Temos 17 para cada 100 mil habitantes. Realmente acreditamos que as nossas referências em termos de inovação devem ser internacionais, como Portugal e Israel. É o caminho a trilhar”.

GOVERNO BOLSONARO

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) anunciou nessa terça (4) o corte de cerca de 2.331 bolsas de mestrado, 335 de doutorado e 58 de pós-doutorado, ocorrendo uma redução total de 6.198 bolsas no ano de 2019. Esse novo bloqueio representa uma redução de R$ 4 milhões no orçamento da pasta em 2019 e, até 2020, deve representar R$ 35 milhões.

A Capes afirmou também que serão suspensas as bolsas de cursos avaliados consecutivamente com nota 3 ou que tiveram redução de nota 4 para 3.

Em maio, a Coordenação já havia confirmado o corte de 3.500 bolsas. Mas, em um pequeno recuo, o governo reabriu 1,2 mil bolsas em cursos com conceitos 6 e 7.

 

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