Ao vivo
Guarapuava - PR · 21°C Predominantemente nublado
Em breve Agenda completa da região no Portal RSN Shows Feiras, cultura, esporte e serviços em um só lugar Volte todo dia Saiba o que acontece antes de sair de casa Portal RSN Sua agenda regional, atualizada para quem acompanha o portal Em breve Agenda completa da região no Portal RSN Shows Feiras, cultura, esporte e serviços em um só lugar Volte todo dia Saiba o que acontece antes de sair de casa Portal RSN Sua agenda regional, atualizada para quem acompanha o portal
ESCÂNDALO FINANCEIRO

Crise bancária no Paraguai acende alerta sobre US$ 2,2 bilhões em investimentos brasileiros

Intervenção no Ueno Bank chama atenção para o sistema financeiro do Paraguai, que tem o Brasil como principal investidor estrangeiro

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
5 min de leitura
Intervenção em banco paraguaio
Intervenção em banco paraguaio

A intervenção no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do Paraguai, provocou protestos em Assunção e aumentou a pressão sobre o presidente Santiago Peña. O Banco Central paraguaio determinou a medida em 2 de novembro, após identificar problemas de solvência na instituição, que possui aproximadamente três milhões de clientes. O episódio também chama atenção de investidores brasileiros, diante da presença expressiva de capital do Brasil no país vizinho.

A fiscalização, iniciada em junho, identificou indícios de empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador do banco, fragilidades em operações de crédito e despesas sem comprovação suficiente. Após ajustes contábeis, o índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo legal exigido, motivando a intervenção. As possíveis irregularidades ainda dependem de apuração.

O Brasil é o maior investidor estrangeiro no Paraguai, com US$ 2,19 bilhões em investimentos diretos acumulados até dezembro de 2025, segundo o Banco Central paraguaio. O valor representa cerca de 15% do capital estrangeiro no país, principalmente nos setores de comércio, indústria, agricultura, serviços financeiros e transportes. Incentivos fiscais e custos de produção competitivos têm impulsionado a presença de empresas brasileiras.

A situação ganhou dimensão política pelas antigas relações empresariais entre Peña e o grupo controlador do Ueno Bank. A saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central, após ter comandado anteriormente a instituição financeira, ampliou os questionamentos sobre a fiscalização. A oposição cobra esclarecimentos sobre possíveis conflitos de interesses, sem comprovação de envolvimento do presidente em irregularidades.

Em Assunção, manifestantes protestaram no Centro da cidade e em frente à residência oficial de Peña, exigindo garantias para a recuperação dos recursos do Instituto de Previsión Social (IPS) e de fundos de aposentadoria com aplicações vinculadas ao banco. Os protestos ampliaram a cobrança por transparência na administração dos recursos públicos e proteção aos depositantes.

Para investidores brasileiros, a principal preocupação envolve possíveis restrições de crédito, dificuldades de liquidez e aumento dos custos de financiamento. Até o momento, não há confirmação oficial de prejuízos diretos para empresas do Brasil. Os US$ 2,19 bilhões representam investimentos distribuídos pela economia paraguaia, e não valores depositados no Ueno Bank.

A intervenção coloca a fiscalização bancária e a proteção dos recursos previdenciários no centro das cobranças ao governo Peña. As autoridades avaliam a situação patrimonial da instituição e apuram possíveis responsabilidades. O desfecho será acompanhado pelo mercado financeiro e por empresas brasileiras com negócios no Paraguai.