Guarapuava cresce, mas mercado ainda não explora novo potencial do município

No primeiro dia de vestibular da Unicentro, por exemplo, grande parte dos restaurantes estavam fechados. Município recebeu 3.464 candidatos de fora

Vestibular da Unicentro teve início nesse domingo (16) (Foto: Lucas Thimóteo e Márcio Nei dos Santos/COORC)

O vestibular da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) que terminou nesta segunda feira (17), em Guarapuava, apontou a falta de estrutura da cidade para receber grande contingente de pessoas de fora. No total, o vestibular teve 11.474 inscritos, dos quais, cerca de 7,5 mil atraídos pelo curso de medicina e destes, 3.464 candidatos de várias partes do país.

A cidade possui uma capacidade de 2,2 mil leitos distribuídos em 22 hotéis e 12 outros meios de hospedagem, como pousadas, por exemplo, que somam 34 estabelecimentos na rede hoteleira, segundo o diretor do Departamento Municipal de Turismo, Márcio de Sequeira. Ou seja, se a cidade recebeu 3.464 vestibulandos de fora que precisaram se hospedar em hotéis 1.264, pela matemática, ficaram de fora. Vale lembrar que muitos vestibulandos vem acompanhados pelos pais, o que aumenta a demanda por hospedagens.

“Em agosto já estávamos com lotação fechada e dissemos muitos nãos, principalmente, na última semana”, disse a recepcionista de um dos principais hotéis da cidade. “Chegaram muitos ônibus que fecharam excursões e as reservas foram feitas com muita antecedência”, disse a gerência de outro hotel.

Para suprir a demanda de quem ficou sem hotel, não houve nenhuma logística por parte da Unicentro, da Prefeitura ou de particulares para chamadas do serviço Airbnb, sistema que permite que pessoas ofereçam suas casas para usuários que buscam acomodações mais em conta. “Não foi feito nada nesse sentido”, disse a Coordenadoria de Comunicação da Unicentro.

Para muitos, a alternativa foi buscar vagas em hotéis de municípios próximos a Guarapuava. Em Turvo, que fica a cerca de 40 minutos de Guarapuava, um dos hotéis ficou lotado e colchões foram colocados no chão para permitir que mais pessoas pudessem ser acomodadas. “Em três anos esta foi a primeira vez que o hotel ficou lotado”, disse a empresária Adriana Grando.

Prestes a completar 199 anos, Guarapuava paga o ônus da falta de planejamento urbano por administrações anteriores (Foto: Reprodução)

Na área de gastronomia não é diferente. Guarapuava possui, entre restaurantes e lanchonetes, cerca de 80 estabelecimentos, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Entretanto, embora não exista uma estatística de quantos abrem aos domingos, são poucos os que oferecem almoço e jantar nesse dia. “São muito poucos e fecham entre às 14h e 15h, no máximo”, disse Márcio de Sequeira. Quem se preparou no entorno do campus Santa Cruz e do Cedeteg,  teve que triplicar a quantidade que costumeiramente é servida. E para isso, a contratação de mão de obra, mesmo temporária, foi necessária.

Com cerca de 180 mil habitantes e às vésperas de completar 199 anos, Guarapuava paga o ônus da falta de planejamento urbano por administrações anteriores. A falta de vagas de estacionamento na área central, de uma política voltada a vias de transporte alternativo, também dificultam a vida de quem mora e de quem está de passagem.

Vale lembrar que no próximo dia 14 de outubro, o Centro Universitário Campo Real também realiza mais um vestibular, incluindo o curso de medicina, e que Guarapuava vive um momento de crescimento e de desenvolvimento sócio-econômico ímpar, consolidando-se como polo educacional e de saúde, sendo necessário, portanto, que a se cidade se prepare melhor para grandes eventos, que são responsáveis também por fazer girar a economia do município.

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