O Paraná melhorou os indicadores de desenvolvimento, mas o avanço ocorreu em ritmos diferentes entre os municípios. Dados do Índice Ipardes de Desempenho Municipal (IPDM), referentes a 2024 e divulgados nesta terça (27), mostram que 308 das 399 cidades paranaenses elevaram as pontuações em relação ao ano anterior, o equivalente a mais de 77% do Estado.
Guarapuava registrou índice de 0,7087, classificado como desempenho médio. A pontuação coloca o município acima de parte das cidades vizinhas, mas abaixo da faixa de alto desempenho, que começa em 0,80. O resultado ganha relevância pelo papel de Guarapuava como referência regional em comércio, saúde, educação e serviços.
No mapa do Ipardes, Rio Bonito do Iguaçu, Candói, Cantagalo, Santa Maria do Oeste, Laranjal, Mato Rico e Nova Laranjeiras aparecem na faixa de desempenho médio-baixo, com índices entre 0,40 e menos de 0,60. Elaborado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o índice avalia três dimensões: Renda, Saúde e Educação.
As notas variam de zero a um, sendo que valores mais próximos de um representam melhor desempenho. No ranking estadual, Curitiba lidera com índice de 0,8392, seguida por Palotina (0,8036), Maringá (0,7862), Toledo (0,7853) e Cafelândia (0,7798). Segundo o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, a metodologia permite comparar as realidades municipais de forma padronizada, oferecendo subsídios para gestores públicos na tomada de decisões estratégicas.
“Os elementos auxiliam tanto na formulação de políticas públicas quanto no monitoramento da efetividade das ações em andamento. Por outro lado, ajudam a iniciativa privada na prospecção de novos negócios. É um índice balizador que indica que o Paraná está em pleno desenvolvimento”.
GUARAPUAVA CONCENTRA SERVIÇOS E DEMANDAS REGIONAIS
A posição de Guarapuava evidencia desafios que ultrapassam os limites territoriais. A cidade concentra hospitais, universidades, comércio e serviços especializados, recebendo moradores de municípios menores em busca de atendimento, formação profissional e oportunidades.
Essa condição fortalece a importância econômica, mas também amplia a demanda sobre a infraestrutura urbana e os serviços públicos. Em localidades como Laranjal, Mato Rico e Santa Maria do Oeste, e outros municípios do Centro-Sul, a menor diversidade de atividades econômicas torna mais difícil ampliar a oferta de empregos e atrair investimentos.
Os indicadores reforçam a necessidade de planejamento regional que considere tanto a estrutura de Guarapuava quanto o fortalecimento das economias municipais. Melhorias no transporte, na qualificação profissional e no acesso a serviços especializados são questões que exigem articulação entre municípios e diferentes esferas de governo.
RENDA É O PRINCIPAL GARGALO NO PARANÁ
O maior alerta do levantamento está na dimensão Renda. Dos 399 municípios paranaenses, 332 ficaram na faixa de desempenho médio-baixo nesse indicador.
Na Saúde, 285 municípios registraram desempenho médio e 74 alcançaram alto desempenho. Na Educação, 310 ficaram na faixa média e 86 atingiram a classificação mais elevada.
Os resultados indicam que a evolução dos serviços sociais não é acompanhada, necessariamente, pelo mesmo ritmo de crescimento econômico. No Centro-Sul, a geração de empregos, a diversificação produtiva e a atração de investimentos permanecem entre as principais necessidades.
Para Guarapuava, a pontuação de 0,7087 demonstra que há espaço para avançar os próprios indicadores. Ao mesmo tempo, a posição como centro regional exige atenção à capacidade de atendimento e à integração econômica com os municípios vizinhos.