Mais conhecida como Tabby, a estrela KIC 8462852 tem um comportamento tão incomum que, quando foi descoberta, em 2015, os astrônomos responsáveis por achá-la chegaram a pensar que poderia estar envolta por uma imensa estrutura extraterrestre.
Agora, após quase dois anos de observação, a equipe formada por mais de cem pesquisadores disse ter encontrado uma resposta para o mistério que derruba essa teoria alienígena. A diminuição e o aumento esporádico de seu brilho, sem um padrão regular ou previsível, como ocorreria se planetas orbitassem ao seu redor, não se deve à presença de uma estrutura artificial, mas a uma enorme nuvem de poeira que, de tempos em tempos, torna sua luz mais opaca. Cientistas dizem que o pó estelar pode ter sido produzido por uma colisão de dois cometas ou a ruptura de um deles. Outra explicação possível, embora menos provável, é que a estrela esteja passando por uma espécie de convulsão desconhecida.PÚBLICO CURIOSO
Localizada a cerca de 1,5 mil anos da Terra, com um tamanho 50% maior do que o do Sol e com uma temperatura 1.000ºC superior, a estrela deixou muitos cientistas confusas quando foi observada uma redução de 20% no seu brilho em uma ocasião e, depois, de 15%. São esperadas normalmente reduções regulares e de uma intensidade bem menor. No caso de Tabby, esses eventos podiam durar de cinco a 80 dias. Foi surpreendente não só a irregularidade desse fenômeno, mas o grau de diminuição da luz. Para se ter uma ideia, se um planeta grande passasse diante da estrela, sua luz seria bloqueada em apenas 1%. A possibilidade de uma intervenção extraterrestre entusiasmou o público, que contribuiu com mais de US$ 100 mil (R$ 323,7 mil) por meio de uma campanha de financiamento coletivo para que a investigação do fenômeno prosseguisse. Assim, Tabetha Boyajian, professora da Universidade do Estado da Louisiana, nos Estados Unidos e autora da descoberta, observou Tabby com sua equipe entre março de 2016 e dezembro de 2017, período em que foram registrados quatro destes eventos. Os episódios foram mais fracos do que no passado, e distintos comprimentos de onda de luz foram afetados em graus diferentes, o que foi a chave para determinar que não eram provocados artificialmente.