Integrantes do Kundun Balê, estagiários e recém-formados que compõem o projeto Herança Cultural (sub-programa Diálogos Culturais/Universidade sem Fronteiras) tem uma missão especial que deve ser cumprida em 6 de novembro. A atividade faz parte do Bolongo – O Fogo da Sabedoria, um projeto que rege todo o trabalho da companhia quilombola. Trata-se de uma analogia com um ritual nigeriano que no Kundun promove a iniciação ao conhecimento, à cidadania.
A missão que deverá ser cumprida trabalha a inversão das funções desempenhadas pelo Kundun. Os ogans (percussionistas) terão que pesquisar a história da dança no mundo e preparar uma apresentação para a noite, enquanto os bailarinos estarão envolvidos com pesquisas sobre a origem dos alimentos e deverão preparar um banquete. As Mulheres do Paiol, como são chamadas as mães do Kundun, pesquisam as religiões no mundo e vão apresentar uma celebração. Aos estagiários e recém-formados do “Diálogos Culturais” caberá a missão de trabalhar a relação do som com o ser humano.
De acordo com o idealizador do projeto, Orlando Silva, as missões cumpridas pelo Kundun visa o conhecimento. “A gente trabalha com essas missões para ampliar o universo de conhecimento dos integrantes do Kundun. A gente só pesquisa aquilo que nos interessa para montagem de shows e deixa de se aprofundar nas coias com as quais trabalhamos”, observa Orlando.
A inversão de atividades nas pesquisas, de acordo com Orlando, é para mostrar que cada um pode realizar qualquer coisa. “Por que o percussionista não pode dançar e ter o conhecimento dos outros ritmos que existem? Por que os bailarinos não podem ter conhecimentos sobre os alimentos? É assim que as coisas funcionam dentro do Kundn. Procuramos ampliar as nossas pesquisas e para a noite programada vamos convidar críticos, pesquisadores, religiosos, para que possamos ter um debate e ampliar ainda mais as nossas pesquisas”, explicou Orlando Silva.
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