O Kundun Balê, companhia de música e dança afro, vai até o quilombo Campina dos Morenos neste domingo. A comunidade está sediada no município de Turvo. A visita cumpre uma das últimas etapas da programação proposta pelo I Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afrobrasileiras concedido pelo MInistério da Cultura/Fundação Palmares com patrocínio da Petrobras e realizado pelo Cadon.
Até agora o Kundun já visitou os quilombos sediados nos municípios de Palmas, Castro, Ponta Grossa, Reserva do Iguaçu.
A comunidade remanescente de quilombos que o Kundun visita neste domingo, anteriormente era chamada de Campina dos Pretos, está localizada a 22 quilômetros da sede do município de Turvo, no limite entre este município e o de Guarapuava.
De acordo com o Grupo Clóvis Mouram, que trata da questão quilombola no Paraná, a comunidade originou-se ao ser o pouso final para os negros escravizados em fuga das fazendas da região. Membros da comunidade relatam que por volta de 1850 os primeiros fugitivos se instalaram nesse local de difícil acesso e já por volta de 1870, existiam perto de 100 famílias na comunidade.
Atualmente 10 famílias, com 66 remanescentes quilombolas, descendentes dos que conseguiram resistir às violências cometidas e a progressiva perda das terras com a diminuição das possibilidades de sobrevivência, mantêm os costumes antigos, inclusive o uso coletivo da terra para a agricultura, moradia e criação de suínos.
Para sobreviver os quilombolas necessitam tanto da agricultura de subsistência quanto do trabalho braçal nas fazendas da região. As roças de feijão, milho, mandioca e batata são familiares e o trabalho é feito por mulheres e por homens.